Fabricantes ameaçam elevar preço de bebida e governo adia aumento de imposto

terça-feira, 13 de maio de 2014 14:43 BRT
 

BRASÍLIA (Reuters) - O governo voltou atrás e decidiu nesta terça-feira suspender por três meses o aumento da carga tributária de bebidas frias para evitar aumento de preços dos produtos durante a realização da Copa e mais pressão sobre a inflação.

"Temos grande preocupação que a inflação permaneça sob controle e esse setor pode dar contribuição importante. Fizemos um pacto de que não haverá aumento de preços durante a Copa e de preferência depois da Copa", disse o ministro das Fazenda, Guido Mantega.

A decisão foi tomada após encontro do ministro com representantes do setor de bebidas frias --cervejas, refrigerantes, isotônicos e refrescos-- e do segmento de bares e restaurantes e foi anunciada num momento em que a inflação oficial ameaça estourar o teto da meta do governo.

Antes do encontro, uma fonte do setor de bebidas havia informado à Reuters que o setor iria reajustar os preços em 5 por cento ao consumidor caso o governo não adiasse o aumento da carga tributária.

Com a suspensão temporária, o governo adia a entrada em vigor do aumento da carga tributária de bebidas frias marcada para acontecer em 1º de junho. Em abril, o governo havia anunciado o aumento de IPI e do PIS/Cofins sobre o setor, atualizando o redutor que define a tributação, e com expectativa de receitas extraordinárias de 1,5 bilhão de reais.

Mantega não explicou como fará para compensar o prejuízo. "Vamos refazer os cálculos e isso vai ser acomodado dentro de nossas disponibilidades", afirmou ele a jornalistas.

Após o anúncio da suspensão do aumento, as ações da Ambev passaram a subir no início desta tarde, invertendo baixa que chegou a mais de 1 por cento.

Mantega indicou ainda que o aumento dos impostos, quando ocorrer, deverá ser escalonado.

"Não ficou definido em quanto tempo escalonaremos essa correção que está nessa nova tabela. Ou seja, a aplicação plena da tabela se dará ao longo do tempo, mas isso ainda vamos discutir com o setor."

(Por Luciana Otoni e Nestor Rabello)