Investidores japoneses miram Brasil para operações de "carry-trade"

quarta-feira, 14 de maio de 2014 11:39 BRT
 

Por Lisa Twaronite

TÓQUIO (Reuters) - A grande diferença entre as taxas de juros do Japão e do Brasil atraiu investidores para operações de "carry-trade" com ativos brasileiros, mesmo diante de riscos de mercados emergentes.

Tomar iene barato emprestado para financiar compras de ações e títulos brasileiros tem sido uma estratégia adotada por conta do retorno garantido.

O estímulo monetário maciço do banco central do Japão iniciado há 13 meses tem mantido as taxas de juros japonesas em níveis mínimos. Já a taxa básica de juros está em 11 por cento ao ano no Brasil e deve ser mantida nesse patamar na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central no fim deste mês.

Com a maioria das outras principais moedas como o dólar e o euro oferecendo rendimentos apenas levemente melhores que o iene, investidores institucionais e varejistas estão buscando mercados emergentes com yields maiores.

Os bônus uridashis denominados em reais --direcionados a investidores japoneses-- cresceram fortemente neste ano em relação às emissões do mercado emergente, mesmo diante da queda nos lançamentos de uridashis, segundo dados da Brown Brothers Harriman.

Até o mês passado, a emissão de uridashis denominados em reais correspondia a mais da metade do total emitido de uridashis de mercados emergentes, ante uma participação média de 29 por cento entre 2007 e 2013.

O potencial de altos rendimentos não escapou à atenção mesmo de alguns investidores japoneses tradicionalmente conservadores. Fontes do mercado com acesso a dados de fluxo institucional citam uma atividade de "carry-trade" maior nos últimos meses.

Segundo o modelo de "carry-trade" do Thomson Reuters Eikon, um investimento em iene no real teria ganho mais de 7 por cento até o momento neste ano, com uma razão Sharpe de 1,93, nível que sugere bom retorno comparado com o risco tomado.

((Tradução Redação São Paulo, 55 11 56447723)) REUTERS RF TP