14 de Maio de 2014 / às 18:54 / 3 anos atrás

Reajuste da gasolina não se faz "correndo atrás do câmbio", diz Mantega

O minstro da Fazenda, Guido Mantega, profere palestra na Câmara dos Deputados, em Brasília. Nesta quinta-feira, Mantega disse que a inflação vem caindo e indicou que um aumento nos preços da gasolina está distante. 29/04/2014 REUTERS/Ueslei Marcelino

BRASÍLIA (Reuters) - A inflação no Brasil está em trajetória de queda, com arrefecimento dos preços dos alimentos, afirmou nesta quarta-feira o ministro da Fazenda, Guido Mantega, indicando também que um novo aumento nos preços da gasolina ainda está distante.

Segundo ele, não é recomendado que se façam reajustes no preço da gasolina “correndo atrás do câmbio”, que influencia que a paridade com o mercado internacional do petróleo seja atingida.

“Não falo em aumento de preço, não se deve anunciar aumento, deve-se fazer”, afirmou Mantega a parlamentares que participam de audiência conjunta na Câmara dos Deputados, acrescentando que a decisão tem efeito no mercado.

“Não é recomendável fazer reajuste intempestivo correndo atrás do câmbio, tem que esperar passar a turbulência, a volatilidade e buscar o alinhamento (com o preço internacional do petróleo)”, acrescentou o ministro.

Em seu depoimento, Mantega defendeu que a inflação no país está perdendo força, e argumentou que nos últimos anos houve “pressões adicionais” nos indicadores.

Questionado sobre a influência do atual cenário do setor elétrico na inflação, o ministro disse que, em 2015, os preços das tarifas vão recuar devido à maior oferta de energia mais barata das concessões de geração que vão vencer. Neste ano, o acionamento das termelétricas elevou os custos do setor e impactou nas tarifas.

E aproveitou para, indiretamente, criticar a situação no Estado de São Paulo, governado pelo PSDB, que vive risco de racionamento de água na Grande São Paulo.

“Não há falta de energia elétrica. Falta água em alguns lugares, mas não energia.”

A inflação no Brasil continua elevada, encostando no teto da meta oficial, de 4,5 por cento pelo IPCA com margem de dois pontos percentuais para mais ou menos. Esse cenário persiste mesmo com a atuação do Banco Central que, há um ano, vem elevando a Selic, para o atual patamar de 11 por cento ao ano.

Mantega voltou a dizer que a economia brasileira terá, nos próximos anos, recuperação “gradual” e que a crise internacional está perdendo força, apesar de ainda ver “transição dolorosa” à frente.

PETROBRAS

Mantega também defendeu que os conselheiros da Petrobras (PETR4.SA) tomaram a decisão correta ao aprovar, em 2006, a compra de 50 por cento da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, com base nas informações que tinham naquele momento.

O ministro, que também é presidente do conselho da estatal, argumentou que naquele momento, com o plano de a Petrobras avançar em refino no exterior, não estava no Conselho de Administração da estatal, presidido à época pela então ministra Dilma Rousseff.

Dilma afirmou recentemente que, ao aprovar a compra de 50 por cento da refinaria, não conhecia a cláusula “put”, que obrigou posteriormente a estatal a pagar valores muito maiores pela segunda metade da refinaria do que os 360 milhões de dólares desembolsados inicialmente.

O movimento para investigação da aquisição da refinaria, que culminou com a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no Senado, intensificou-se após Dilma ter dito em março que o aval para a compra da refinaria foi dado com base num documento “técnica e juridicamente falho”.

Mantega afirmou ainda que, posteriormente, quando ele já integrava o Conselho, e de posse da informação da “cláusula put”, foi contrário à compra da segunda metade da refinaria, em um processo que acabou sendo decidido por uma câmara arbitral.

Reportagem de Luciana Otoni; Texto de Patrícia Duarte; Edição de Tiago Pariz

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