Vendas no varejo brasileiro caem 0,5% em março e destacam perda de força

quinta-feira, 15 de maio de 2014 10:17 BRT
 

RIO DE JANEIRO (Reuters) - As vendas no comércio varejista brasileiro recuaram 0,5 por cento em março na comparação com o mês anterior, primeira queda no ano, indicando perda na força do consumo no final do primeiro trimestre do ano em meio à inflação elevada.

Na comparação com o mesmo mês de 2013, as vendas caíram 1,1 por cento, informou nesta quinta-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No acumulado do trimestre passado, as vendas cresceram 0,4 por cento sobre o quarto trimestre de 2013, quando a expansão havia sido de 1,1 por cento sobre o período anterior.Os resultados foram piores do que as expectativas em pesquisa da Reuters, cujas medianas apontavam avanço de 0,1 por cento tanto na comparação mensal quanto na anual.

Cinco das oito atividades pesquisadas no varejo restrito tiveram queda na comparação mensal, com destaque para Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (-4,5 por cento), Combustíveis e lubrificantes (-1,5 por cento) e Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-1,0 por cento).

As vendas varejistas no país foram perdendo força ao longo dos três primeiros meses do ano, depois de terem avançado 0,4 por cento em janeiro e terem estagnado em fevereiro, este último dado revisado pelo IBGE após divulgar alta de 0,2 por cento.

O IBGE informou ainda que a receita nominal do varejo subiu 0,5 por cento em março sobre fevereiro e avançou 4,7 por cento na comparação com o mesmo mês do ano anterior.

O volume de vendas no varejo ampliado, que inclui veículos e material de construção, teve queda de 1,2 por cento em março na comparação mensal, após recuo de 2,7 por cento em fevereiro.

A perda de força no varejo brasileiro ocorre com a inflação elevada e aumento de juros, o que acaba encarecendo e limitando o crédito. Esse cenário também abala a confiança do consumidor e o crescimento econômico.

E as expectativas sobre os preços continuam deterioradas, apontando para este ano acima de 6 por cento na inflação oficial, perto do teto da meta do governo, de 4,5 por cento pelo IPCA com margem de dois pontos percentuais para mais ou menos.

Há um ano o Banco Central vem elevando os juros básicos da economia, hoje a 11 por cento, para segurar a escalada dos preços.   Continuação...