15 de Maio de 2014 / às 14:53 / 3 anos atrás

Safra de café do Brasil cairá 9,3% em 2014; seca impacta também 2015

BRASÍLIA/SÃO PAULO (Reuters) - A previsão de safra deste ano de café do Brasil, maior produtor e exportador global, foi reduzida nesta quinta-feira para 44,57 milhões de sacas de 60 kg, sendo impactada pela severa seca e altas temperaturas do início de 2014, apontou levantamento do governo brasileiro, que vê o clima afetando também a produção em 2015.

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) cortou a projeção em quase 8 por cento na comparação com a previsão média divulgada em janeiro, antes das intempéries climáticas que impactaram as lavouras de café arábica, variedade que ainda assim deverá responder por mais de 70 por cento do volume produzido no país.

Com a redução na projeção, o Brasil terá uma safra total 9,3 por cento menor em 2014 em relação à obtida em 2013. A temporada atual --um ano de alta no ciclo da bienalidade do arábica em condições normais de clima-- resultará na mais baixa produção desde 2011, quando o país colheu ao todo 43,48 milhões de sacas, segundo a Conab.

Os contratos futuros do café arábica subiam quase 7 por cento por volta das 11h40 (horário de Brasília), reagindo à divulgação da Conab.

"A seca teve grande impacto, especialmente em Minas Gerais, onde perdemos de 18 a 20 por cento do café", afirmou o diretor do Departamento de Café do Ministério da Agricultura, Jânio Zeferino, em entrevista a jornalistas em Brasília.

A Conab também atribuiu a queda à menor área plantada, à inversão de bienalidade em algumas regiões, a preços baixos verificados no ano passado, que reduziram investimentos nas lavouras, e às geadas no Paraná em 2013.

A produção de café arábica do Brasil foi estimada em 32,2 milhões de sacas, queda de 15,8 por cento ante 2013, com impacto do clima sendo sentido em Minas Gerais, São Paulo e Paraná.

O principal Estado produtor segue sendo Minas Gerais, com o volume de 22,7 milhões de sacas de arábica.

Já a produção do robusta, que foi estimada em 12,3 milhões de sacas, deverá representar 27,7 por cento do total nacional. O Espírito Santo, maior produtor nacional dessa variedade, tem colheita estimada em 9,4 milhões de sacas.

A produção de café robusta do país deverá crescer 13,5 por cento na comparação com a safra anterior, devido à renovação de cafezais e melhores produtividades, além de condições climáticas favoráveis no Espírito Santo.

A colheita da temporada 2014 está em fase inicial no Brasil.

2015

A safra do próximo ano, na melhor das hipóteses, manterá o volume da atual produção, mas poderia ser ainda menor, disse Zeferino.

Segundo a Conab, a falta de chuva, agravada pelas altas temperaturas, danificou seriamente o café arábica no estágio de formação de grãos para 2014, mas também comprometeu a temporada 2015, devido ao "menor crescimento dos ramos produtivos".

No início de abril, o Conselho Nacional do Café (CNC) havia divulgado previsão de que a safra de 2015 ficaria entre 38,7 milhões e 43,6 milhões de sacas, volume semelhante ao apontado por especialistas contratados pela instituição para a safra deste ano.

O número da Conab para 2014 ficou levemente acima da projeção do estudo do CNC, mas bem abaixo do volume projetado pelo adido do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) nesta semana, de 49,5 milhões de sacas.

Por Anthony Boadle, em Brasília, e Roberto Samora, em São Paulo; Reportagem adicional de Fabíola Gomes, em São Paulo

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