Itaú BBA propõe uso de compulsórios para financiar infraestrutura

quarta-feira, 21 de maio de 2014 18:31 BRT
 

Por Aluísio Alves

SÃO PAULO (Reuters) - Os bancos privados estão discutindo com o governo federal a possibilidade de usar parte dos recursos recolhidos pelas instituições financeiras aos cofres do Banco Central, os depósitos compulsórios, para financiamento de obras de infraestrutura.

O objetivo, explicou nesta quarta-feira o diretor da área de infraestrutura do Itaú BBA, Alberto Zoffmann, é criar canais alternativos para sanear as necessidades de investimento do país no setor, que podem chegar a 1 trilhão de reais.

Atualmente, os bancos no país são obrigados a guardar no BC 44 por cento do volume de depósitos à vista, sem receberem remuneração por isso. No caso dos recursos a prazo, esse percentual é de 20 por cento. Segundo dados do Banco Central, o volume de recolhimentos compulsórios atingiu 415,9 bilhões de reais em março.

A sugestão dos bancos é do uso de parte dos compulsórios à vista, dos depósitos a prazo e também da caderneta de poupança.

"A sugestão é pegar parte dos recursos dos compulsórios para infraestrutura", disse Zoffmann a jornalistas, sem mencionar qual percentual, após participar de evento da Fiesp, em São Paulo.

Segundo o executivo, a proposta foi uma das respostas ao pedido do governo federal aos bancos privados por sugestões de canais de recursos para investir em obras como rodovias, ferrovias, aeroportos e portos.

A alternativa preocupa o governo federal pelos riscos de descasamento de prazos, já que obras como essas demandam estruturas de financiamento por vários anos, enquanto o gerenciamento dos compulsórios é feito diariamente.

Dessa forma, um evento súbito de queda dos depósitos nos bancos poderia atingir o uso de recursos já comprometidos para um empreendimento.    Continuação...