ANÁLISE-Bom desempenho de geradoras de energia no 1º tri não deve se repetir

quarta-feira, 21 de maio de 2014 18:34 BRT
 

Por Anna Flávia Rochas

SÃO PAULO (Reuters) - O forte desempenho das geradoras de energia elétrica no primeiro trimestre não deve se manter em todo 2014, segundo especialistas do setor, diante da expectativa de perdas por déficit maior na produção de hidrelétricas ao longo do ano e pela estratégia de sazonalização de eletricidade das companhias.

Redução de contratos de energia e mudança nas regras para redução do Preço de Liquidação de Diferenças (PLD) já são algumas da alternativas mencionadas para evitar que geradoras tenham gastos que podem chegar a 24 bilhões de reais. Isso ocorre uma vez que o governo federal afirma que não aportará mais recursos para ajudar o setor elétrico, após já ter feito desembolsos para distribuidoras.

Mas mesmo essas alternativas enfrentam oposição no setor elétrico e, sem solução para mitigar esses gastos, a expectativa é de que algumas geradoras que não têm sobra de energia no portfólio para se proteger possam ter resultados negativos já no segundo trimestre.

“No próximo trimestre, vem prejuízo pesado para geradoras por conta do GSF”, disse o coordenador do Grupo de Estudos do Setor de Energia Elétrica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Gesel;UFRJ), Nivalde de Castro, à Reuters.

O GSF (Generating Scaling Factor) mede o déficit no volume de energia gerado pelas hidrelétricas e deve ficar acima de 8 por cento no ano, segundo estimativas citadas por executivos de geradoras durante teleconferências sobre resultados do primeiro trimestre.

O professor Nivalde lembra que a maioria das geradoras não trabalha com reservas de energia acima de 5 por cento para servir de proteção em situações como as vividas atualmente. Para ele, entre as geradoras que podem ser mais afetadas a partir de agora está a Eletrobras, já que vendeu grande quantidade de sua energia disponível para o ano no leilão de energia A-0, realizado em abril.

Em teleconferência com analistas nesta semana, o diretor-financeiro da Eletrobras, Armando Casado de Araújo, disse que as condições de preço oferecidas do leilão foram muito significativas.

"Existe alguma coisa sim que a gente deixou como reserva", disse o executivo quando questionado sobre se a empresa tem sobra de energia para se proteger ao longo do ano, sem revelar os valores.   Continuação...