Mercado físico de café no Brasil se retrai por efeito da seca

quinta-feira, 22 de maio de 2014 10:09 BRT
 

Por Reese Ewing

SANTOS São Paulo (Reuters) - Em Santos, onde o normalmente agitado comércio físico de café se concentra em um conglomerado de pequenos edifícios próximos ao porto, as corretoras familiares e as companhias multinacionais que movimentam quase metade das exportações de arábica do mundo estão estranhamente tranquilas.

Com os preços muito voláteis e a incerteza sobre o impacto da pior seca em 50 anos, o negócio à vista chegou quase a uma paralisação, disseram operadores e torrefadoras.

Com a aproximação do pico da colheita no Brasil entre junho e agosto, as previsões para a safra ainda estão desorganizadas, e os preços de contratos futuros têm oscilado até 10 por cento em um dia devido à incerteza.

"Nesta semana movimentamos talvez apenas alguns contêineres", disse Daniel Wolthers, na sala de classificação de café da Wolthers Associates, em Santos.

A calmaria do mercado contrasta com as apressadas negociações que ocorreram de dezembro até o começo de março, quando produtores ofertavam safra remanescente do ano passado à medida que os preços subiam por conta da seca.

"Tivemos alguns bons dias no começo do ano, quando estávamos movendo 100 contêineres. Esse é o dia que você sai com todo seu escritório e abre champanhe", disse Wolthers.

Por ora, as exportações de café verde continuam a fluir a um ritmo de 2,5 milhões a 3,3 milhões de sacas por mês, e a crescente demanda deve esvaziar os grandes estoques, sustentar os preços e eventualmente forçar novas vendas até setembro, disseram traders.

Mas os traders alertam sobre consequências futuras para grandes compradores como Starbucks, e até mesmo para produtores, que não estão com pressa para vender o café que em breve irão colher.   Continuação...