Costa não atuou na compra de Pasadena, diz ex-diretor da Petrobras

quinta-feira, 22 de maio de 2014 16:00 BRT
 

BRASÍLIA (Reuters) – - Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras investigado pela Polícia Federal na operação Lava Jato, não participou das negociações para a aquisição da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, operação envolta em críticas por conta dos valores desembolsados pela estatal.

Segundo o ex-diretor da área internacional da estatal Nestor Cerveró, Costa foi o responsável pela indicação do quadro de pessoal que seria responsável pelo gerenciamento da trading adquirida na operação em Pasadena, na condição de diretor de Abastecimento da Petrobras na época da aquisição da unidade.

"A parte de comercialização, a parte de trading dentro da Petrobras é subordinada à diretoria de Abastecimento... Então o Paulo Roberto indica as pessoas e se envolve na discussão da negociação, mas não na negociação da compra, mas da estrutura gerencial que foi criada na parte de trading", explicou Cerveró em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Senado para investigar denúncias na Petrobras.

Ele qualificou como "natural" a atuação de Costa na questão da trading, pelo cargo que o ex-diretor ocupava na Petrobras.

Costa foi preso pela Polícia Federal no final de março, acusado de destruir documentos que o envolveriam em um suposto esquema de lavagem de dinheiro. Na terça-feira, o ex-diretor de Abastecimento foi liberado após liminar do ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Durante o depoimento à CPI, nesta quinta, Cerveró ainda isentou a presidente Dilma Rousseff de responsabilidade na compra de Pasadena e, questionado se julgava Dilma "responsável" pela aquisição, negou.

"Volto a repetir... as decisões são colegiadas e normalmente são aprovadas por unanimidade", afirmou ele a apenas três senadores presentes na reunião da CPI.

À época da compra, em 2006, a então ministra Dilma presidia o Conselho de Administração da estatal. A aquisição da refinaria de Pasadena motivou, entre outros fatores, a criação da CPI no Senado.

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