May 22, 2014 / 9:45 PM / 3 years ago

ENTREVISTA-Grupo Boticário vê ano mais difícil após desbancar rivais em 2013

5 Min, DE LEITURA

SÃO PAULO (Reuters) - Depois de crescer no Brasil mais que a concorrência no ano passado e de colocar em prática um agressivo plano de diversificação, o Grupo Boticário vê um cenário mais desafiador para os negócios em 2014 e 2015, embora ainda projete uma expansão de dois dígitos na receita este ano.

"É um setor que está inserido dentro do mercado como um todo, sofre com os ventos mais fracos", afirmou o presidente da companhia, Artur Grynbaum, à Reuters sobre o mercado de cosméticos e perfumes, mencionando problemas como a inflação em alta e a desaceleração da economia.

Para o ano, a expectativa é de crescimento de faturamento entre 13 a 15 por cento disse Grynbaum, após um avanço de cerca de 17 por cento em 2013, quando o grupo teve receita de 8 bilhões de reais.

A previsão chega na esteira de dados que apontam uma desaceleração do varejo brasileiro. Entre janeiro e março, as vendas do setor cresceram 0,4 por cento ante o quarto trimestre de 2013, período em que expansão foi de 1,1 por cento sobre os três meses anteriores.

Em 2013, quando impulsionou a diversificação dos negócios com a abertura de 100 lojas de outras marcas que não O Boticário, o grupo ultrapassou a gigante norte-americana Procter & Gamble como terceira maior empresa de produtos de beleza e cuidados pessoais no Brasil, segundo a Euromonitor.

Com o avanço, também ajudado pela inauguração de 147 pontos de venda da sua marca principal, o Grupo Boticário ficou atrás apenas da Unilever e da líder Natura, em um mercado que movimentou 42,9 bilhões de dólares no Brasil.

No segmento de maquiagens, somente, o Grupo Boticário assumiu o segundo lugar do ranking nacional, desbancando a também brasileira Natura e encurtando a distância em relação à norte-americana Avon.

Embora espere continuar ganhando terreno sobre as rivais com a estratégia de oferecer produtos em diferentes canais e bandeiras, Grynbaum afirmou que as inaugurações de lojas também devem ser mais modestas neste ano.

A estimativa é de 30 a 40 novas lojas da marca Quem disse, Berenice?, de maquiagem, ante 90 no ano passado. Já a The Beauty Box, multimarcas de produtos de beleza, deve repetir 2013, quando abriu 10 unidades.

Para a Eudora, a previsão é de fortalecimento da vocação porta a porta da empresa criada em 2011, após o encerramento de algumas lojas em shoppings.

"O ano de 2014 não está tão bem, 2015 talvez seja mais difícil", afirmou Grynbaum, acrescentando que os investimentos também vão cair diante dos altos desembolsos feitos recentemente pela empresa.

No ano passado, a companhia destinou 357 milhões de reais a melhorias de infraestrutura, que incluíram uma nova fábrica em Camaçari, na Bahia, que abrirá as portas neste ano, além de um centro de distribuição em São Gonçalo dos Campos, também na Bahia, que iniciou as operações em abril.

"Nos últimos cinco anos investimos perto de 1 bilhão de reais. Obviamente isso não acontece sempre", disse Grynbaum. "Agora o foco está em fazer a melhoria da experiência do consumidor nessa questão do serviço para que possamos crescer de forma mais vigorosa depois. Tem fábrica nova entrando, nossa complexidade aumenta esse ano também", observou.

Nos últimos anos, o mercado brasileiro assistiu à chegada de gigantes estrangeiras, como a Sephora, do grupo francês de luxo LVMH, e aumento da agressividade de redes que já operavam por aqui. A canadense MAC, por exemplo, que pertence à Estée Lauder, anunciou no ano passado a diminuição dos preços no Brasil numa investida para impulsionar as vendas.

Ao mesmo tempo, a Natura investiu pesado no lançamento de uma linha de produtos mais baratos, enquanto a Avon fechou recentemente um acordo para divulgar e vender as fragrâncias da Coty através de suas 1,5 milhão de consultoras no país.

"É um processo normal que isso aconteça. O Brasil é o terceiro maior mercado mundial de perfumaria e cosméticos, em perfumaria é o primeiro. Quem é de fora, tem a obrigação de estar aqui", disse Grynbaum, prevendo que o setor continuará crescendo no país, mas com uma taxa menor do que vinha apresentando nos últimos anos.

Grynbaum afirmou que o Grupo Boticário não tem planos "nem no curto nem no médio prazo" de abrir capital na bolsa. Ele afirmou ainda que as necessidades de capital da empresa têm sido supridas "fortemente" com caixa próprio e recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que aprovou em 2013 financiamento de 306 milhões de reais para investimentos do grupo.

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