23 de Maio de 2014 / às 17:28 / 3 anos atrás

Brasil tem déficit recorde em conta corrente para abril, de US$8,3 bi, diz BC

BRASÍLIA (Reuters) - O Brasil registrou déficit em transações correntes de 8,291 bilhões de dólares em abril, recorde para esse mês e afetado por elevadas remessas de lucros e dividendo, ao mesmo tempo em que os investimentos produtivos de fora não cobriram o rombo, algo que se repete desde novembro passado.

Em 12 meses encerrados em abril, o déficit em conta corrente representou 3,65 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), informou o Banco Central nesta sexta-feira, com os Investimentos Estrangeiros Diretos (IED) no país somando 5,233 bilhões de dólares.

O saldo negativo da conta corrente veio pior do que o esperado por economistas consultados pela Reuters, de 6,7 bilhões de dólares em abril, e até que a projeção do próprio BC (7,8 bilhões de dólares).

A pesquisa Reuters também indicou que as expectativas eram de que o IED ficaria em 5,4 bilhões de dólares no mês passado.

O rombo nas transações correntes --operações do Brasil com o exterior, como balança comercial e serviços-- foi impactado sobretudo pelas remessas de lucros e dividendos de multinacionais instaladas no país, que somaram 3,291 bilhões de dólares em abril, ante 2,542 bilhão em igual mês do ano passado.

Também continuou pesando a balança comercial, com o baixo superávit de 506 milhões de dólares no mês passado devido ao elevado nível de importações.

O BC informou ainda que os gastos líquidos de brasileiros no exterior com viagens também pesaram, somando 1,797 bilhão de dólares em abril, um pouco acima do 1,510 bilhão de dólares visto um ano antes.

No acumulado do ano, o déficit em transações correntes está em 33,476 bilhões de dólares, acima dos 32,939 bilhões de dólares registrado em igual período de 2013.

INVESTIMENTO EM CARTEIRA

O BC informou ainda que os fluxos de capitais vindos do exterior para portfólios no Brasil recuaram em abril. Os investimentos estrangeiros em títulos negociados no país somaram 1,617 bilhão de dólares no mês passado, cerca de 75 por cento a menos do que resultado de março.

No acumulado do ano, o saldo está positivo em 13,858 bilhões de dólares, muito acima dos 2,515 bilhões de dólares vistos em igual período de 2013.

Para o chefe do departamento Econômico do BC, Tulio Maciel, esses ingressos refletem "as condições macroeconômicas do país". De abril do ano passado para cá, o próprio BC elevou a Selic em 3,75 pontos percentuais, para 11 por cento ao ano, uma das maiores taxas de juros do mundo, ajudando a atrair investidores de fora atrás de melhores ganhos financeiros.

O BC mostrou ainda que os investimentos estrangeiros em ações brasileiras baixaram em abril para 555 milhões de dólares, ante 1,303 bilhão de dólares visto em março.

Por Luciana Otoni; Reportagem adicional de Alonso Soto

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