Putin diz que nova Guerra Fria é improvável

sábado, 24 de maio de 2014 13:20 BRT
 

SÃO PETERSBURGO Rússia - O presidente russo, Vladimir Putin, disse neste sábado que uma nova Guerra Fria, em consequência à crise da Ucrânia, é improvável, e afirmou que não está tentando reconstruir a União Soviética ao anexar a ex-península ucraniana da Crimeia.

Em entrevista a várias agências de notícias, incluindo a Reuters, Putin culpou o Ocidente pela violência e a instabilidade política ucraniana e afirmou esperar que a Europa e os Estados Unidos estejam dispostos a ceder.

"Não gostaria de pensar que esse é o começo de uma nova Guerra Fria. Não é do interesse de ninguém e acho que não acontecerá", afirmou Putin, sentado em uma grande mesa ao lado de jornalistas no ambiente externo de um palácio em São Petersburgo.

Ele negou que os planos de formar um bloco de comércio com duas ex-repúblicas soviéticas, Cazaquistão e Belarus, tenham a intenção de reconstruir a União Soviética, dissolvida em 1991.

"Eles tentam colocar um rótulo na gente, um rótulo de que estamos tentando restaurar um império, a União Soviética, subordinar todo mundo. Isso absolutamente não corresponde à realidade", afirmou Putin. "É uma arma de guerra midiática."

A crise na Ucrânia fez as relações entre Ocidente e Oriente chegarem ao seu pior patamar desde o fim da Guerra Fria, ocorrida há duas décadas, com o fim da União Soviética.

Putin também disse a um grupo de jornalistas estrangeiros, nos bastidores do Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo, que a Rússia representa os interesses de mais países, e que não pode concordar em ser tratada sem igualdade.

Criticando as sanções impostas pelos Estados Unidos e a Europa devido à crise ucraniana, ele afirmou que a Rússia não será isolada internacionalmente por conta da crise.

"Acho que a ideia de isolar um país como o nosso só pode ser temporária. É impossível", afirmou. A Rússia assinou nesta semana um acordo de 30 anos para prover gás natural para a China, no valor de 400 bilhões de dólares.

(Reportagem de Paul Ingrassia e Alexei Anishchuk)