"Rei do Chocolate" reivindica presidência da Ucrânia após pesquisas

domingo, 25 de maio de 2014 17:27 BRT
 

Por Richard Balmforth e Natalia Zinets

KIEV (Reuters) - O bilionário Petro Poroshenko reivindicou a presidência da Ucrânia neste domingo após pesquisas de boca de urna darem a ele a maioria absoluta dos votos no primeiro turno e, assegurando o fim do conflito com rebeldes pró-russos, prometeu alinhar o país com a Europa.

Pesquisas de boca de urna deram a Poroshenko, um magnata da confeitaria com longa experiência no governo, mais de 55 por cento dos votos, bem afrente da ex-primeira ministra Yulia Tymoshenko no segundo lugar com 12 por cento. Se os resultados forem confirmados na segunda-feira, não haverá necessidade para um segundo turno em junho.

Ucranianos, cansados de seis meses de turbulência política, esperam que seu novo presidente seja capaz de levar o país de 45 milhões de habitantes longe da beira da falência, desmembramento e guerra civil que impediu a votação em partes do leste do país de língua russa.

"Todas as pesquisas mostram que a eleição foi concluída no primeiro turno e o país tem um novo presidente", disse o bilionário de 48 anos em coletiva de imprensa. Seus negócios deram a ele uma fortuna de mais de 1 bilhão de dólares e o apelido de "Rei do Chocolate".

Em sua sede de campanha, ele disse a apoiadores que a maioria dos ucranianos lhe tinha dado um mandato para continuar um curso de integração com o resto da Europa, mas disse que sua primeira prioridade era viajar para o leste do país para acabar com a "guerra e caos" causado por rebeldes separatistas pró-russos.

Ele disse que estava pronto para negociar com os adversários e oferecer anistia para aqueles que entregarem armas, mas descartou qualquer negociação com assassinos e "terroristas".

Separatistas pró-russos impediram pessoas de votar em grande parte de Donbass, coração industrial da Ucrânia, tornando a principal cidade Donetsk em uma cidade fantasma, depois de dias de violência na região do entorno em que pelo menos 20 pessoas foram mortas.

Perguntado por um jornalista estrangeiro sobre as relações com a Rússia, Poroshenko, falando em inglês fluente, disse que vai insistir no respeito à "soberania e integridade territorial" da Ucrânia. Ele também disse que a Ucrânia nunca reconhecerá a "ocupação da Crimeia" pela Rússia, a região do Mar Negro tomada por Moscou em março.

Mas Poroshenko terá que tentar encontrar um terreno comum com o vizinho do norte da Ucrânia, que fornece a maior parte de seu gás natural e é o principal mercado para as suas exportações. Mais tarde ele foi citado dizendo que "certamente" encontraria Putin já que o envolvimento russo é essencial para a estabilidade.