Investidores em pequenas hidrelétricas reclamam de preço; Aneel quer mudar condições

quinta-feira, 29 de maio de 2014 16:45 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - O preço-teto de 148 reais por megawatt-hora (MWh) fixado para venda de energia de pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) no leilão da semana que vem não deve viabilizar um grande número desses projetos no certame, segundo investidores do setor.

Diante das reclamações de investidores sobre a dificuldade de viabilizar novos projetos, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) está atuando para estabelecer preço adequado para a fonte e mecanismos que agilizem licenciamento ambiental.

O leilão A-3, de 6 de junho, que vai contratar energia com início da entrega em 2017, tem 14 PCHs no total de 235 MW habilitados -- cerca de 3 por cento do total de 7 mil MW em projetos registrados.

O presidente da Associação de Produtores Independentes de Energia (Apine), Luiz Fernando Viana, disse durante evento nesta quinta-feira que o número de habilitados é "modesto".

"Acho que alguns até vão conseguir vender", afirmou durante palestra no 6o Encontro Nacional de Investidores em Pequenas Centrais Hidrelétricas. Mas ele acrescentou que poucos devem conseguir viabilizar projetos ao preço estabelecido.

O setor de PCH defende um preço-teto de 175 reais por MWh para estimular o maior cadastramento de projetos.

"Quando se estabelece um preço-teto baixo, desestimula os investidores. Precisamos colocar volume na competição", disse o presidente do Conselho da Associação Brasileira de Geração de Energia Limpa (Abragel), Ricardo Pigatto.

Segundo ele, o setor avalia que deveria haver expansão anual de cerca de mil megawatt de PCHs ao ano. No leilão A-3, ele não vê mais do que 100 MW de projetos de PCHs vendendo energia.

O presidente da Associação Brasileira de Fomento às Pequenas Centrais Hidrelétricas (AbraPCH), Ivo Pugnaloni, disse que a entidade buscará na justiça o cancelamento o leilão de 6 de junho, argumentando que a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) não apresentou estudos para justificar o preço-teto fixado.   Continuação...