Comercializadores esperam queda em preço da energia no Brasil em junho

quinta-feira, 29 de maio de 2014 19:37 BRT
 

Por Anna Flávia Rochas

SÃO PAULO (Reuters) - A possível chegada do El Niño ao Brasil em junho está animando comercializadores de energia a estimarem queda no preço da energia de curto prazo no próximo mês, já que o fenômeno meterológico poderá contribuir para estimativas mais positivas de chuvas sobre as hidrelétricas do país.

"A gente espera uma tendência de queda para o PLD --Preço de Liquidação de Diferenças-- para cerca de 700 reais por megawatt-hora", disse o presidente da Bolt Comercializadora, Érico Evaristo, nesta quinta-feira.

Segundo ele, as estimativas do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) para junho indicam melhoria nas afluências de chuvas no Sul e em parte do Sudeste, incluindo a bacia do Paranapanema, além de uma desaceleração do consumo de carga de energia. Evaristo acrescenta que o consumo de carga de energia no sistema em maio ficou bem abaixo do previsto pelo ONS.

O ONS realiza previamente reunião com agente do setor elétrico sobre suas estimativas e procedimentos de operação para o mês seguinte e, na sexta-feira, divulga os relatórios com as previsões.

Apesar da melhora das estimativas do modelo do setor elétrico, as chuvas de junho não devem recuperar reservatórios do Sudeste/Centro-Oeste, região responsável por 70 por cento do armazenamento das hidrelétricas do país.

O nível dos reservatórios das hidrelétricas do Sudeste, que está em 37,42 por cento atualmente, deve terminar o mês ainda por volta dos 37 por cento, segundo previsões da Bolt Comercializadora.

"Chuvas de inverno nunca recuperam reservatórios do Sudeste. Se chover muito no Sul, vai contribuir para que a redução de nível das represas do Sudeste seja menor", disse.

Segundo Evaristo, o ONS estima que em junho as chuvas do Sudeste sejam de cerca de 83 por cento da média histórica para o mês. No Sul, em 149 por cento da média histórica. Já no Nordeste, as chuvas que chegam aos reservatórios devem ser o equivalente a 48 por cento da média histórica, enquanto no Norte as afluências estimadas são de cerca de 98 por cento da média.   Continuação...