Brics devem ter participação igualitária em novo banco de desenvolvimento

quinta-feira, 29 de maio de 2014 20:01 BRT
 

BRASÍLIA (Reuters) - Os cinco países que integram os Brics provavelmente concordarão em injetar de forma igualitária recursos no banco de desenvolvimento do grupo para que tenham os mesmos direitos na instituição que poderá começar a financiar projetos em dois anos, afirmou uma autoridade do governo brasileiro à Reuters nesta quinta-feira.

A capitalização do banco foi um dos principais pontos de atrito nas negociações realizadas entre as potências emergentes para criar um credor conjunto para financiar projetos de infraestrutura nos países em desenvolvimento.

O novo banco, com orçamento de 100 bilhões de dólares, deverá simbolizar a maior influência das economias emergentes no cenário financeiro global dominado pelos Estados Unidos e pela Europa através do Fundo Monetário Internacional (FMI) e pelo Banco Mundial.

As negociações para criar a instituição têm se arrastado por dois anos, com alguns membros temerosos do desejo da China de ter uma participação maior no banco, injetando mais capital. Mas esse obstáculo está sendo superado.

"A maioria quer uma divisão igual de capital e não há outra proposta concreta sobre a mesa", disse a autoridade brasileira, que está diretamente envolvida nas negociações. "Isso não vai ser um problema."

Os líderes de Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul devem assinar um tratado para lançar oficialmente o banco durante uma reunião de cúpula dos Brics em Fortaleza em 15 de julho.

O banco, que terá capital inicial de 50 bilhões de dólares, terá de ser ratificado pelos parlamentos dos países e poderá começar a realizar os empréstimos em dois anos, disse a autoridade, que pediu anonimato porque não estava autorizada a falar publicamente sobre o assunto.

Do capital inicial do banco, os países vão injetar 10 bilhões de dólares em dinheiro e 40 bilhões de dólares em garantias, que serão utilizados para levantar capital nos mercados internacionais.

O novo banco de desenvolvimento ajudará a cobrir a crescente demanda por financiamento de projetos que não tenham sido totalmente atendidos por instituições multilaterais globais, que durante anos têm sido fortemente criticadas por se intrometer nas políticas internas dos devedores soberanos.   Continuação...