Brasil desacelera e cresce 0,2% no 1º tri, com indústria e investimentos em queda

sexta-feira, 30 de maio de 2014 14:06 BRT
 

Por Rodrigo Viga Gaier

RIO DEIRO/SÃO PAULO (Reuters) - Afetada pelo mau desempenho da indústria e dos investimentos, que vêm recuando desde meados de 2013, a economia brasileira perdeu fôlego no início deste ano, quando a presidente Dilma Rousseff tenta a reeleição.

O Produto Interno Bruto (PIB) do país cresceu apenas 0,2 por cento no primeiro trimestre, na comparação com os últimos três meses do ano passado, quando a expansão foi de 0,4 por cento. Em relação ao primeiro trimestre de 2013, o crescimento foi de 1,9 por cento, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira.

O resultado, apesar de ter vindo dentro do esperado --pesquisa Reuters apontava 0,2 por cento na comparação trimestral e 2,1 por cento na anual--, mostrou que o consumo do governo sustentou o leve crescimento agora, numa dinâmica que deixa mais evidente a confiança abalada de boa parte das agentes econômicos.

Diante deste cenário, analistas já afirmam que vão rever para baixo suas previsões de expansão para 2014.

Segundo o IBGE, os investimentos caíram 2,1 por cento no trimestre passado, comparado com os três meses anteriores, marcando três trimestres seguidos de queda. Sobre igual período de 2013, a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) também teve queda de 2,1 por cento.

Com isso, a taxa de investimentos em relação ao PIB recuou a 17,7 por cento no trimestre passado, o pior resultado para o primeiro trimestre desde 2009.

"Houve um efeito conjugado de vários fatores negativos. Queda na produção interna, mais importação de bens de capital... e desempenho ruim da industria de transformação", afirmou a economista do IBGE, Rebeca Palis.

A indústria também encolheu pelo terceiro trimestre seguido agora, com queda de 0,8 por cento entre janeiro e março sobre o período imediatamente anterior. Sobre um ano antes, a atividade industrial cresceu 0,8 por cento.   Continuação...

 
Operário trabalha em linha de montagem de caminhões da marca Scania, em São Bernardo do Campo, São Paulo. Afetada pelo mau desempenho da indústria e dos investimentos, que vêm recuando desde meados de 2013, a economia brasileira perdeu fôlego no início deste ano, quando a presidente Dilma Rousseff tenta a reeleição. 15/09/2010.  REUTERS/Paulo Whitaker