Bancos europeus não acrescentam ao crescimento econômico, dizem acadêmicos

segunda-feira, 2 de junho de 2014 09:59 BRT
 

FRANKFURT (Reuters) - O setor bancário da Europa está inchado e tira da economia ao menos um montante igual ao que acrescenta, disseram conselheiros acadêmicos ao órgão europeu encarregado por avisos preventivos de risco ao setor financeiro em um relatório publicado nesta segunda-feira.

"Segundo todos os indicadores, nosso paciente é anormalmente pesado", escreveram os acadêmicos em um relatório de 50 páginas, entitulado "A Europa está com excesso de bancos?", no qual expuseram uma gama de opções de política para endireitar o setor.

Os acadêmicos, cujas sugestões incluem aumentar os requisitos mínimos de capital, escreveram o relatório para o Comitê Europeu do Risco Sistêmico (ESRB, na sigla em inglês) -- um órgão planejado para dar alertas preventivos e uma das principais respostas europeias à crise financeira.

"O sistema bancário europeu alcançou um tamanho no qual sua contribuição marginal ao crescimento econômico real provavelmente será nulo ou negativo", escreveram no relatório os acadêmicos liderados por Marco Pagano.

O Comitê é hospedado e apoiado pelo Banco Central Europeu, apesar de que o BCE e o novo mecanismo único de supervisão (SSM, na sigla em inglês), o supervisor bancário da Europa, não estejam obrigados a atender qualquer recomendação feita.

Os acadêmicos escreveram que o setor bancário da Europa está associado a desequilíbrios tais como um excesso de investimento em imóveis e um desvio de talentos de setores não financeiros.

"Isso é uma questão preocupante pois estruturas financeiras muito enviesadas na direção de serviços bancários estão associadas a crescimento econômico menor", escreveram eles no relatório da ESRB.

Eles acrescentaram que o modelo de banco universal -- no qual bancos executam uma ampla gama de serviços bancários -- é comum na Europa, apresentando uma fonte de fragilidade por estar associado a níveis maiores de exposição sistêmica a riscos.