COLUNA-Queda contínua do investimento é má notícia para BC

segunda-feira, 2 de junho de 2014 10:57 BRT
 

Por Cesar Bianconi

SÃO PAULO (Reuters) - A terceira queda trimestral seguida da taxa de investimento no Brasil, a 17,7 por cento do PIB e no menor nível para um período de janeiro a março desde 2009, é uma má notícia para o Banco Central.

Ela significa que a autoridade monetária terá que se conformar por mais tempo com a dura realidade da inflação: o problema maior na alta dos preços está na oferta, que não cresce como precisaria, e não na demanda.

Outra medida importante de investimento, a Formação Bruta de Capital Fixo, caiu 2,1 por cento no primeiro trimestre, seja na comparação com os três meses anteriores ou com igual etapa do ano passado, mostraram os números divulgados na sexta-feira pelo IBGE sobre o desempenho da economia brasileira.

Do lado da demanda, o BC fez sucessivas elevações do juro básico desde abril do ano passado para conter a inflação, tirando a Selic da mínima histórica de 7,25 para 11 por cento ao ano. Neste mês, optou por interromper o ciclo de aperto monetário.

Entre autoridades do BC e agentes econômicos, há certo consenso de que continuar a elevar a Selic agora teria um efeito mais danoso ao crescimento econômico do que benéfico ao controle da inflação. Em outras palavras, o BC já fez o que lhe cabia em política monetária no atual cenário e o problema está na política fiscal, que não tem ajudado, e em choques de preços de algumas classes de produtos, como alimentos.

Do lado da oferta, o governo da presidente Dilma Rousseff tem lançado mão sem sucesso de um arsenal para tentar elevar o investimento, passando por desoneração da folha de pagamento a mais de 50 setores e uma série de outros incentivos tributários, além da manutenção do juro de referência para empréstimos do BNDES em 5 por cento ao ano.

Aposta também num ambicioso plano de concessões de logística, bem-sucedido até aqui em rodovias e aeroportos, mas ainda no papel no que tange a ferrovias e portos, seja por ineficiências do goveno ou por incertezas que permeiam ano eleitoral no Brasil ou em qualquer país.

De todo modo, mesmo os investimentos de algumas dezenas de bilhões de reais já contratados nos transportes só serão sentidos na cadeia produtiva no longo prazo, por serem contratos com a iniciativa privada de prazo que em alguns casos superam os 30 anos e cujo cronograma de desembolsos é extenso.   Continuação...