Dólar tem maior alta em quase 6 meses e vai a R$2,27, sob expectativa com BC

segunda-feira, 2 de junho de 2014 17:12 BRT
 

Por Tiago Pariz

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar fechou com alta de mais de 1,5 por cento nesta segunda-feira, a maior em quase seis meses e voltando ao patamar de 2,27 reais, diante das dúvidas dos investidores sobre o futuro das intervenções diárias do Banco Central, reforçadas pelo anúncio da rolagem novamente parcial de swaps cambiais.

A moeda norte-americana subiu 1,55 por cento, a 2,2755 reais na venda, maior alta desde o dia 20 de dezembro passado, quando teve valorização de 1,58 por cento. O volume financeiro ficou em cerca de 1,3 bilhão de dólares, segundo dados da BM&F.

Na sessão anterior, também por especulações sobre a ação do BC, o dólar já havia subido 0,76 por cento ante o real.

"Nesses últimos meses, O BC não rolou integralmente os swaps que venceram e diminuiu o passo. Agora o mercado está na expectativa de que as intervenções (diárias) talvez acabem neste mês", afirmou o superintendente de câmbio da Advanced Corretora, Reginaldo Siaca.

No fim do ano passado, o BC informou que o programa de intervenções duraria pelo menos até o fim de junho, mas com ritmo menor, vendendo 4 mil contratos de swaps cambiais --equivalente à venda de dólares no mercado futuro.

Mesmo com a menor ação do BC, o dólar vinha sendo negociado preso à banda informal de 2,20 a 2,25 reais nos últimos dois meses graças ao quadro positivo de fluxo de recursos. Tal patamar, segundo avaliação do mercado, agradaria o BC por não ser inflacionário nem prejudicar as exportações.

Mas já há quem acredite que essa banda informal possa subir um degrau, indo de 2,25 a 2,30 reais, também sem grandes impactos sobre a economia "Com o BC tirando dólar do mercado, o câmbio deveria trabalhar mais próximo dos 2,30 (reais) do que dos 2,20 (reais)", afirmou o operador de câmbio de um grande banco nacional.

De modo geral, os especialistas acreditam que o programa diário de intervenções será novamente estendido, mas com nova redução, apesar de haver quem não descarte a interrupção das ações no mercado.   Continuação...