June 2, 2014 / 8:14 PM / 3 years ago

Dólar tem maior alta em quase 6 meses e vai a R$2,27, sob expectativa com BC

4 Min, DE LEITURA

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar fechou com alta de mais de 1,5 por cento nesta segunda-feira, a maior em quase seis meses e voltando ao patamar de 2,27 reais, diante das dúvidas dos investidores sobre o futuro das intervenções diárias do Banco Central, reforçadas pelo anúncio da rolagem novamente parcial de swaps cambiais.

A moeda norte-americana subiu 1,55 por cento, a 2,2755 reais na venda, maior alta desde o dia 20 de dezembro passado, quando teve valorização de 1,58 por cento. O volume financeiro ficou em cerca de 1,3 bilhão de dólares, segundo dados da BM&F.

Na sessão anterior, também por especulações sobre a ação do BC, o dólar já havia subido 0,76 por cento ante o real.

"Nesses últimos meses, O BC não rolou integralmente os swaps que venceram e diminuiu o passo. Agora o mercado está na expectativa de que as intervenções (diárias) talvez acabem neste mês", afirmou o superintendente de câmbio da Advanced Corretora, Reginaldo Siaca.

No fim do ano passado, o BC informou que o programa de intervenções duraria pelo menos até o fim de junho, mas com ritmo menor, vendendo 4 mil contratos de swaps cambiais --equivalente à venda de dólares no mercado futuro.

Mesmo com a menor ação do BC, o dólar vinha sendo negociado preso à banda informal de 2,20 a 2,25 reais nos últimos dois meses graças ao quadro positivo de fluxo de recursos. Tal patamar, segundo avaliação do mercado, agradaria o BC por não ser inflacionário nem prejudicar as exportações.

Mas já há quem acredite que essa banda informal possa subir um degrau, indo de 2,25 a 2,30 reais, também sem grandes impactos sobre a economia "Com o BC tirando dólar do mercado, o câmbio deveria trabalhar mais próximo dos 2,30 (reais) do que dos 2,20 (reais)", afirmou o operador de câmbio de um grande banco nacional.

De modo geral, os especialistas acreditam que o programa diário de intervenções será novamente estendido, mas com nova redução, apesar de haver quem não descarte a interrupção das ações no mercado.

Swaps

Na oferta de ração diária neste pregão, o BC vendeu todos os 4 mil swaps, com volume equivalente a 198,4 milhões de dólares. Foram 100 contratos para 1º de dezembro deste ano e 3,9 mil para 2 de fevereiro do próximo ano.

Também pesou nesta sessão o início do processo de rolagem dos contratos de swap que vencem em 1º de julho, no valor equivalente a 10,060 bilhões de dólares. No leilão, o BC vendeu a oferta total de até 5 mil swaps cambiais, concentrada no vencimento de 1º de abril do ano que vem. O volume ficou em 247,5 milhões de dólares.

Mantendo esse ritmo, o BC rolaria pouco menos de 50 por cento do lote todo. A conta leva em consideração o feriado de Corpus Christi no dia 19 e o fato de não haver leilões de swap no dia 12, por conta do jogo da seleção brasileira pela Copa do Mundo.

No mês passado, o BC já havia reduzido seu ritmo de rolagens, deixando que pouco menos da metade do lote equivalente a 9,653 bilhões de dólares vencesse. Nos dois meses anteriores, as rolagens haviam sido de 75 por cento do total.

O movimento do dólar no mercado externo também contribuiu para a alta da divisa no Brasil nesta sessão, com a expectativa do mercado sobre os próximos Banco Central Europeu (BCE) via estímulos monetários.

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