Governo deve elevar parcialmente IPI de veículos em julho, fiz fonte

terça-feira, 3 de junho de 2014 18:45 BRT
 

Por Luciana Otoni

BRASÍLIA (Reuters) - O governo deve elevar parcialmente as alíquotas do IPI de veículos a partir de julho, evitando que o imposto tenha recomposição integral para tentar apoiar as vendas de um setor importante para a economia e que vive momento de menor oferta de crédito para financiamento e estoques crescentes nos pátios das montadoras.

"As conversas entre governo e montadoras sobre o IPI começaram e indicam que a decisão do governo será pela recomposição gradual do IPI de carros", disse à Reuters uma fonte do Palácio do Planalto que acompanha as negociações.

Em dezembro, o Ministério da Fazenda fez ação semelhante ao anunciar que as alíquotas reduzidas do IPI seriam elevadas gradualmente para seus níveis normais até o início de julho. Por exemplo, para automóveis 1.0, cuja alíquota original é 7 por cento, o percentual do imposto passou a 3 por cento em janeiro, ante 2 por cento até então em vigor.

De acordo com a fonte, a avaliação do governo é que é possível abrir mão de parte da arrecadação com o IPI porque as receitas extraordinárias e as receitas com concessões virão altas no segundo semestre, ajudando a compensar a perda.

O governo luta para fechar as contas e cumprir a meta de superávit primário deste ano, de 99 bilhões de reais, ou 1,9 por cento do Produto Interno Bruto (PIB).

A equipe econômica também trabalha em outra frente, considerada ainda mais sensível, que é o mercado de crédito para a compra de veículos, diante de postura mais exigente dos bancos na concessão de empréstimos. Entre outras propostas, está na mesa a criação de espécie de fundo garantidor para essas operações.

A venda de veículos novos recuou 7,2 por cento no país em maio na comparação anual, com os lojistas apostando em queda de mais de 3 por cento no ano como um todo, informou nesta terça-feira a entidade que representa as concessionárias (Fenabrave).

As negociações para incentivar as vendas de veículos do país ocorrem também diante de forte retração nas exportações, cujo destino principal é a Argentina, país que vive uma crise cambial.   Continuação...