COLUNA-Redução do IOF sobre captação externa de curto prazo é inócua

quinta-feira, 5 de junho de 2014 10:00 BRT
 

- (O autor é editor-chefe do Serviço Brasileiro da Reuters. As opiniões expressas são do autor do texto)

Por Cesar Bianconi

SÃO PAULO (Reuters) - A alíquota zero do IOF para captações externas com prazo acima de 180 dias, e não mais apenas para emissões acima de 1 ano, tornou mais barato o ingresso de capital externo de curto prazo no Brasil, mas isso não terá efeito visível no câmbio, no crédito ou na inflação.

O próprio Ministério da Fazenda indicou o efeito inócuo da medida anunciada no começo da quarta-feira ao estimar um custo fiscal de 10 milhões de reais neste ano.

Numa conta simples com base na alíquota anterior do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) de 6 por cento, a renúncia prevista embute uma expectativa da equipe econômica de ingresso inferior a 80 milhões de dólares via captação com prazo de 181 a 360 dias por bancos e empresas brasileiras até o fim de 2014. Ou seja, nada relevante para o fluxo de capitais.

Alguns comentários matinais de bancos enviados a clientes imediatamente após a divulgação da redução do IOF sobre captações externas de curto prazo acenaram para uma potencial inibição da alta ou pelo menos uma manutenção do dólar no patamar atual.

O mercado cambial, porém, deu de ombros para a redução do IOF e a moeda norte-americana subiu 0,24 por cento, aproximando-se do patamar de 2,30 reais. O dólar já subiu quase 2 por cento apenas em três sessões de junho.

Se não afeta o câmbio, a redução do IOF agora definida não respinga, portanto, na inflação.   Continuação...