Dólar cai e vai abaixo de R$2,25, de olho em cenário eleitoral e EUA

sexta-feira, 6 de junho de 2014 17:08 BRT
 

Por Tiago Pariz

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar fechou em queda nesta sexta-feira pela segunda sessão seguida, ficando abaixo de 2,25 reais, com os investidores reagindo aos dados positivos do mercado de trabalho dos Estados Unidos e à pesquisa eleitoral que mostrou queda na intenção de votos da presidente Dilma Rousseff.

A moeda norte-americana perdeu 0,50 por cento, a 2,2496 reais na venda, após chegar a 2,2392 reais na mínima da sessão. Segundo dados da BM&F, o volume ficou em torno de 1,1 bilhão de dólares.

O dólar encerrou a semana ainda em leve alta de 0,39 por cento, mas deixa para trás o patamar de 2,30 reais que se aproximou na quarta-feira, quando fechou a quarta sessão em alta, acumulando valorização de 2,68 por cento no período.

"A pesquisa (eleitoral) causou a movimentação inicial no mercado", afirmou o diretor de câmbio da Pioneer Corretora, João Medeiros, acrescentando que a queda do dólar perdeu fôlego na reta final do pregão porque entraram compradores aproveitando a cotação mais baixa da semana.

O levantamento do Datafolha mostrou queda de 3 pontos percentuais da presidente Dilma (PT), para 34 por cento das intenções de voto, enquanto seu principal adversário, Aécio Neves (PSDB), perdeu 1 ponto percentual, para 19 por cento. A pesquisa também mostrou maior dificuldade de Dilma vencer seus adversários no segundo turno.

Os números aparecem num momento de fraca atividade econômica e confiança em baixa. Operadores lembraram que a queda do dólar nesta sessão veio de movimentos especulativos, e não de fluxos de recursos. No mercado futuro, o dólar para julho teve queda mais expressiva do que o à vista, de quase 0,64 por cento.

"As negociações estão concentradas nos derivativos. É mais especulação do que fluxo de investimentos de estrangeiros. É um 'game' de locais", afirmou um operador de câmbio de banco internacional.

O dólar também foi puxado para baixo pela divulgação de dados positivos no mercado de trabalho nos Estados Unidos, mostrando que a maior economia do mundo está em recuperação. Foram criadas 217 mil vagas fora do setor agrícola, praticamente similar aos 218 mil estimados em pesquisa da Reuters.   Continuação...