CENÁRIOS-Instituições financeiras do Brasil devem ter nova onda de internacionalização

sexta-feira, 6 de junho de 2014 19:03 BRT
 

Por Aluísio Alves

SÃO PAULO (Reuters) - A corrida de bancos europeus e norte-americanos para se desfazer de ativos não essenciais e fortalecer o capital deve abrir caminho para uma nova rodada de expansão no exterior de empresas financeiras brasileiras bem capitalizadas nos próximos meses e anos.

Itaú Unibanco (ITUB4.SA: Cotações) e BTG Pactual BBTG11.SA devem seguir liderando o movimento de aquisições no exterior, sendo eventualmente seguidos por Bradesco BBDC4.SA, BM&FBovespa BVMF3.SA, Porto Seguro PSSA3.SA e Banco do Brasil BBAS3.SA, acreditam profissionais do mercado.

No caso dos bancos, o movimento responde à necessidade de diversificação de receitas e de riscos, especialmente diante do prolongado cenário de baixo crescimento da economia doméstica, que tem pressionado suas margens.

"A gente vai ver mais alguns movimentos de consolidação para fora", disse à Reuters o economista João Augusto Frota Salles, da consultoria RiskBank.

O Itaú Unibanco (ITUB4.SA: Cotações), que passou a ter 15 por cento de suas receitas no exterior com a compra do chileno Corpbanca COB.SN no começo do ano, prospecta aquisições no México e no Peru, "para depender não só da economia brasileira", disse recentemente a jornalistas o presidente-executivo do banco, Roberto Setubal.

A ofensiva do Itaú vem na esteira da perda de participação dos bancos privados no mercado de crédito brasileiro para os rivais públicos. As instituições privadas têm buscado alternativas para proteger as margens de lucro, incluindo aumento das receitas com serviços, como cartões e seguros.

Em paralelo, a lentidão do mercado doméstico de capitais --o de ofertas de ações concorre a ser o pior em uma década-- tem feito o BTG Pactual também acelerar seus planos fora do Brasil.

O grupo comprou no mês passado 2 por cento do italiano Banca Monte dei Paschi di Siena (BMPS.MI: Cotações) e negocia a compra da gestora de recursos suíça BSI, mostrando apetite por ativos fora de seu mercado prioritário, a América Latina.   Continuação...