Patrocinadores da Fifa elevam pressão sobre alegação de suborno pago pelo Catar

segunda-feira, 9 de junho de 2014 11:22 BRT
 

Por Keith Weir e Ossian Shine

LONDRES/RIO DE JANEIRO (Reuters) - Adidas, Sony, Visa e Coca-Cola, alguns dos principais patrocinadores da Fifa, pediram no domingo que os administradores do futebol mundial lidem diligentemente com as alegações de suborno na concessão da realização da Copa de 2022 ao Catar, uma questão que está ofuscando a estreia do torneio no Brasil nesta semana.

Com o maior evento de futebol do planeta a apenas quatro dias do início, a Fifa está na defensiva, conduzindo uma investigação interna sobre as decisões para realizar a Copa do Mundo de 2018 na Rússia e a de 2022 no Catar. Ambos os países negam qualquer irregularidade.

A candidatura do Catar provocou controvérsia por causa do calor extremo no país durante os meses dos jogos da Copa, e também pela sua falta de tradição no futebol. Se quiser seguir em frente, o torneio terá que ser alterado para uma data no fim do ano, o que criaria problemas para transmissoras de TV e equipes europeias de futebol definirem seus itinerários.

Os sinais de insatisfação de alguns dos principais patrocinadores devem aumentar a pressão sobre a Fifa, liderada pelo suíço Joseph Blatter, para que investigue a fundo as alegações e trate das preocupações sobre como a entidade é gerenciada.

“O tom negativo sobre o debate público acerca da Fifa no momento não é bom nem para o futebol nem para a Fifa e seus parceiros”, disse a fabricante alemã de artigos esportivos Adidas, que tem um contrato assinado com a entidade até 2030, estendendo uma parceria que data de 1970.

A Coca-Cola concorda. “Qualquer coisa que vá contra a missão e os ideais da Copa do Mundo da Fifa é uma preocupação para nós”, disse a empresa em um comunicado. “Mas estamos confiantes de que a Fifa está levando essas acusações com seriedade e as está investigando diligentemente” por meio de seu comitê de ética.

O jornal britânico Sunday Times publicou nos últimos dois fins de semana o que diz serem documentos vazados mostrando o pagamento de subornos para garantir que o evento fosse realizado no Catar, algo negado pelo país.

O ex-promotor-chefe dos Estados Unidos Michel García, que lidera a investigação interna da Fifa, deve divulgar um relatório em julho, cerca de uma semana após a final da Copa do Mundo.   Continuação...

 
Réplica de estádio fotografada no Catar durante inspeção da Fifa, em Doha. 14/09/2010 REUTERS/Fadi Al-Assaad