Banco Mundial corta projeção de crescimento global a 2,8% em 2014

terça-feira, 10 de junho de 2014 22:02 BRT
 

WASHINGTON (Reuters) - O Banco Mundial reduziu nesta terça-feira a sua projeção de crescimento global, alegando que uma confluência de eventos, da crise na Ucrânia ao clima excepcionalmente frio nos Estados Unidos, prejudicou a expansão econômica no primeiro semestre do ano.

A instituição de combate à pobreza projetou que a economia mundial crescerá 2,8 por cento neste ano, abaixo da previsão feita em janeiro, de 3,2 por cento, mas expressou confiança de que a atividade já está mudando de rumo para uma base mais sólida.

O Banco Mundial disse que os países em desenvolvimento terão uma expansão "desapontadora" neste ano e cortou para 4,8 por cento a previsão de crescimento dessas economias em 2014, ante projeção anterior de 5,3 por cento.

No seu relatório Perspectivas Econômicas Globais, divulgado duas vezes ao ano, o Banco Mundial afirmou que as tensões entre a Ucrânia e a Rússia prejudicaram a confiança em todo o mundo. A entidade também reduziu a sua previsão de crescimento dos EUA para 2,1 por cento, ante 2,8 por cento, levando em conta o impacto do clima ruim do início do ano.

A economia dos EUA se contraiu pela primeira vez em três anos no primeiro trimestre, mas já parece estar se recuperando.

“Sim, tem havido uma grande desaceleração em 2014”, disse Andrew Burns, principal autor do relatório, em entrevista. “Mas isso é, sobretudo, um reflexo de coisas que já aconteceram.”

O Banco Mundial espera que o crescimento acelere mais para o fim do ano, já que as economias mais ricas continuam a se recuperar. A entidade manteve as suas previsões de crescimento global para os dois próximos anos, em 3,4 por cento e 3,5 por cento, respectivamente.

As estimativas pressupõem que as tensões na Ucrânia irão persistir neste ano, mas não piorar. Uma escalada na crise poderia abalar ainda mais a confiança global, levando empresas a adiar investimentos e reduzindo o crescimento em economias em desenvolvimento em até 1,4 ponto percentual no pior dos casos, de acordo com o banco.

“Os mercados e os investidores não gostam de incertezas”, afirmou Burns. “Também está muito claro que existe o potencial de que as tensões (na Ucrânia) aumentem, e que a situação piore”.   Continuação...