Dragagem é a mais recente dor de cabeça para o porto de Santos

terça-feira, 10 de junho de 2014 20:41 BRT
 

Por Caroline Stauffer

SÃO PAULO (Reuters) - O Brasil está enfrentando dificuldades para manter o canal do porto de Santos, o maior da América Latina, com a profundidade suficiente para grandes navios.

Os problemas de dragagem no porto de Santos estão dificultando a movimentação de modernos navios de contêineres em alguns terminais e obrigando os navios de soja, um dos principais produtos de exportação do país, a saírem parcialmente carregados ou esperarem até a maré alta para zarpar.

Cerca de um quarto das exportações brasileiras são movimentadas por Santos.

O governo da presidente Dilma Rousseff espera melhorar a eficiência dos portos do Brasil com o investimento privado, mas ainda não conseguiu conceder novos terminais ou assinar um novo contrato para dragar Santos.

Apesar de anos de avisos e promessas de ação do governo, a dragagem não acompanhou o tráfego crescente do porto ao longo da última década. Canais rasos e docas desatualizadas têm limitado o uso de uma nova geração de navios de maior porte, mais eficientes, fazendo com que os elevados custos de transporte limitem o crescimento econômico.

"Os navios maiores não são capazes de entrar (no porto), ou pelo menos de utilizar sua capacidade total", disse Paulo Barbosa, diretor de praticagem, que tem orientado os navios em Santos há 20 anos.

Para os exportadores de soja e milho, o problema é mais grave quando os navios atracam, de acordo com a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), que representa gigantes do agronegócio, como Cargill [CARG.UL] e Bunge.

O economista da Abiove Daniel Furlan Amaral estimou que o problema resulta em uma redução de 15 por cento da produtividade no porto de Santos e disse que essa é uma queixa frequente dos membros da Abiove.   Continuação...