Chuva no sul do Brasil eleva represas de hidrelétricas; deixa milhares desalojados

quarta-feira, 11 de junho de 2014 13:20 BRT
 

Por Anna Flávia Rochas

SÃO PAULO (Reuters) - A cheia que atinge o sul do Brasil elevou em quase 27 pontos percentuais o nível de hidrelétricas da região desde o fim de maio, dando um alívio às represas após a seca do verão, mas também deixando milhares de desabrigados.

Entretanto, chuvas concentradas somente no Sul não são suficientes para assegurar que não haverá dificuldades de fornecimento de energia neste e no ano que vem no Brasil. Isso ocorre porque os reservatórios da região Sudeste/Centro-oeste, os mais importantes para o país, estão diminuindo desde abril, mostrando nível cerca de 37,2 por cento atualmente.

Já no sul, o nível das represas está a 81,7 por cento, segundo dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), acima do patamar de 80,8 por cento registrado no fim de junho de 2013.

A hidrelétrica Itaipu, no Paraná, está com duas calhas do vertedouro abertas desde domingo à noite e, atualmente, está deixando passar cerca de 9,7 mil metros cúbicos de água por segundo sem gerar energia -- procedimento normal em períodos de cheia.

Na terça-feira, a cota de água próxima à Ponte da Amizade, que liga Brasil a Paraguai, estava em cerca de 125 metros, na terceira maior cheia a atingir a região em todos os tempos, só perdendo para 1992 e 1983, segundo a assessoria de imprensa de Itaipu. O nível do rio Paraná subiu 16 metros em 25 horas.

Já o volume de chuvas ao longo do rio Iguaçu, durante o último fim de semana, superou o recorde histórico registrado durante a grande enchente de julho de 1983, segundo a Copel, empresa de energia que opera hidrelétricas ao longo do rio.

"Diferente daquele ano, quando as chuvas se concentraram nas cabeceiras do rio (...) desta vez as chuvas se dispersaram ao longo da calha do rio, reduzindo o impacto sobre os municípios" próximos, informou a companhia.

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