Brasil renova acordo automotivo em bases mais favoráveis para a Argentina

quarta-feira, 11 de junho de 2014 20:14 BRT
 

BRASÍLIA/BUENOS AIRES (Reuters) - Brasil e Argentina decidiram prorrogar em um ano o acordo automotivo, mas a renovação foi feita em bases mais vantajosas para a Argentina, que tenta equilibrar sua balança comercial em um momento de desaceleração da economia.

O acordo foi prorrogado de 1o de julho para 30 de junho de 2015, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior do Brasil.

O documento assinado prevê a volta do sistema "flex" na proporção de 1,5. Isso significa que a cada dólar que a Argentina exportar para o Brasil em bens da indústria automotiva, poderá importar 1,5 dólar em produtos brasileiros com alíquota zero de importação. Anteriormente, a relação era de 1,95 dólar.

Segundo o ministério, o acordo promete dar mais previsibilidade e fluidez ao comércio bilateral, "dando margem de conforto à indústria brasileira".

A indústria automotiva do Brasil amargou queda de 13 por cento na produção de janeiro a maio, pressionada pelo tombo de quase 20 por cento nas exportações ante mesmo período de 2013 e por fraqueza do mercado interno. A Argentina é o principal destino das exportações de veículos do Brasil.

O comércio automotivo representa quase metade do fluxo comercial de 36 bilhões de dólares entre os dois principais membros do Mercosul. O déficit comercial da Argentina em veículos com o Brasil passou de 913 milhões de dólares em 2012, para 1,581 bilhão em 2013.

O acordo foi renovado após a Argentina afirmar que apenas aceitaria um pacto de longo prazo se ele assegurar que poderá equilibrar sua balança comercial com o Brasil.

"O que importa é o volume de comércio. E o 'flex' acordado favorece o pleno fluxo de comércio entre ambos os países", disse o ministro do Desenvolvimento, Mauro Borges, a jornalistas, em Buenos Aires.

Montadoras de ambos os países também firmaram acordo para que a participação de veículos argentinos no mercado brasileiro seja de pelo menos 11 por cento. Na Argentina, ao redor de 44 por cento dos veículos licenciados são de origem brasileira.   Continuação...