Ucrânia se prepara para corte no fornecimento de gás pela Rússia

sexta-feira, 13 de junho de 2014 16:38 BRT
 

KIEV/MOSCOU (Reuters) - A Ucrânia começou a se preparar nesta sexta-feira para um corte no fornecimento de gás por parte da Rússia depois que longas negociações sobre preços foram interrompidas, aumentando a perspectiva de que os suprimentos para a União Europeia também sejam interrompidos a partir de segunda-feira.

Kiev ainda estava tentando, na noite de sexta-feira, organizar novas conversações antes de segunda-feira, o prazo para que o país comece a pagar bilhões de dólares em contas de gás, mas Moscou não mostrou nenhum interesse em novas negociações e rejeitou uma nova oferta de compromisso por parte da Ucrânia.

Interromper o fornecimento agravaria a pior crise política entre a Rússia e a Ucrânia desde que a União Soviética se desfez em 1991 e atrapalharia os incipientes movimentos de paz no leste da Ucrânia, onde as forças do governo estão combatendo os separatistas pró-Rússia.

"A Ucrânia está se preparando para o pior cenário, um corte no fornecimento de gás russo", disse Andriy Kobolev, presidente da estatal de gás ucraniana Naftogaz, segundo um porta-voz da empresa.

O primeiro-ministro Arseny Yatseniuk emitiu uma ordem para o setor de energia, os ministérios relevantes e as autoridades regionais se prepararem para os cortes de fornecimento.

As negociações sobre gás provaram-se especialmente difíceis devido às tensões políticas sobre a derrubada do presidente pró-Rússia da Ucrânia, em fevereiro, e a anexação da Crimeia pela Rússia, em março

Cada lado culpa o outro pelo impasse.

A Rússia inicialmente exigiu que Ucrânia pagasse 485 dólares por mil metros cúbicos de gás natural, mas, em seguida, ofereceu-se para remover os direitos de exportação, um movimento que iria reduzir o preço para 385 dólares, perto do valor médio pago pelos clientes europeus da Rússia.

Ucrânia tinha mantido a oferta em 268,5 dólares até sexta-feira, quando disse que estava disposta a pagar 326 dólares por um período transitório de 18 meses, enquanto um preço de longo prazo fosse negociado.   Continuação...

 
O presidente russo, Vladimir Putin, lidera uma reunião na residência oficial de Novo-Ogaryovo, nos arredores de Moscou, na quarta-feira. 11/06/2014 REUTERS/Alexei Druzhinin/RIA Novosti/Kremlin