Com dólar estável, BC deve reduzir programa de intervenção cambial

terça-feira, 17 de junho de 2014 10:23 BRT
 

Por Walter Brandimarte

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O Banco central deve anunciar nas próximas semanas uma nova redução de seu programa de intervenção cambial, na esperança de que a recente trégua nos mercados globais o ajude na tarefa sem causar muita instabilidade na taxa de câmbio.

O governo tem lançado mão de uma série de medidas nos últimos anos para estabilizar a cotação do dólar, que em 2011 atingiu níveis que ameaçavam a indústria brasileira mas depois se enfraqueceu muito rapidamente, alimentando a inflação.

Em uma de suas iniciativas de maior sucesso, o BC lançou em agosto do ano passado um programa de leilões diários de swaps cambiais. A oferta destes derivativos tem impedido que o real se desvalorize sem que o BC precise vender um único dólar de suas reservas internacionais, que se mantêm em quase 380 bilhões de dólares.

A estratégia também reduziu significativamente a volatilidade cambial, mantendo o dólar entre 2,20 e 2,25 reais durante a maior parte dos últimos dois meses.

Mas para que o programa de intervenções tenha o efeito desejado, os detentores de swap precisam ser capazes, pelo menos em teoria, de trocar estes contratos por dólares em momentos de crise. Isso significa que o valor dos swaps em circulação não pode exceder o tamanho das reservas internacionais.

Alguns analistas alertam que, por prudência, este limite deve ser ainda mais baixo e recomendam que o Banco Central reduza o ritmo de intervenção. O BC já cortou o volume de venda de swaps em dezembro, mas o estoque destes contratos subiu para quase 90 bilhões de dólares desde então.

"O Banco Central não pode vender swaps para sempre. Ele tem que usar este instrumento em situações específicas", disse o professor visitante da Stanford University Márcio Garcia, que estuda o programa brasileiro de intervenção cambial.

"A situação hoje é muito tranquila, não é uma situação em o BC deve estar gastando as reservas ou os derivativos que estão lastreados nas reservas", acrescentou Garcia, que também é professor de economia da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro.   Continuação...

 
O Banco central deve anunciar uma nova redução de seu programa de intervenção cambial, na esperança de que a recente trégua nos mercados globais o ajude na tarefa sem causar muita instabilidade no câmbio. 15/01/2014 REUTERS/Ueslei Marcelino