Seca interrompe fluxo na hidrovia Tietê-Paraná e afeta exportadores de soja

segunda-feira, 16 de junho de 2014 19:59 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - A seca no Estado de São Paulo interrompeu o tráfego de barcaças em importante hidrovia paulista usada para o escoamento de soja, uma vez que o governo está priorizando a geração de energia por conta da queda contínua do nível dos rios.

A Hidrovia Tietê-Paraná está baixando de nível desde fevereiro, como reflexo de um dos verões mais quentes e secos já registrados no Estado mais populoso do país, levantando temores de um racionamento de água e de cortes na energia durante a Copa.

Os exportadores de soja e os produtores são as vítimas mais recentes da seca, uma vez que a hidrovia foi completamente fechada para o tráfego de barcaças em 30 de maio.

As empresas exportadoras, incluindo a Cargill, disseram que precisaram contratar caminhões para transportar o produto até o porto de Santos, o principal ponto de embarque de soja do Brasil.

A medida elevou os custos de transporte em 10 a 12 por cento para aqueles que normalmente usam a hidrovia, e os produtores estão recebendo menos pela soja como resultado, disse Edeon Vaz, coordenador de logística da Aprosoja, maior associação de produtores da oleaginosa no país.

O Brasil, maior exportador mundial de soja, deverá embarcar cerca de 43 milhões de toneladas neste ano safra.

Vaz acredita que o fechamento da hidrovia não era necessário e a Aprosoja quer que o governo reduza a geração de energia no Tietê e eleve em outros lugares. Chuvas torrenciais têm caído no Sul do país nas últimas semanas, recompondo reservas hidrelétricas em áreas que podem gerar mais energia para outras regiões.

"Lógico que precisamos de energia, mas temos visto uma super oferta de água em Itaipu, nós poderíamos reduzir a água usada das represas do Tietê", disse Vaz à Reuters por telefone de Brasília.

A assessoria de imprensa da hidrelétrica de Itaipu, a maior do Brasil, disse que a agência brasileira-paraguaia que administra a represa está recompondo seu reservatório de água para ter reserva durante a Copa do Mundo. Parte desta água vem dos pontos mais elevados e mais secos da hidrovia Tietê-Paraná.   Continuação...