Com alimentos e habitação, IPCA-15 desacelera a 0,47% em junho

quarta-feira, 18 de junho de 2014 09:58 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - Novo alívio nos preços dos alimentos e de habitação ajudou o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) a desacelerar a 0,47 por cento em junho, frente a 0,58 por cento de maio, dando novo suporte às expectativas de que o Banco Central não deve eleve os juros tão cedo. Apesar da menor alta do IPCA-15, a prévia da inflação oficial atingiu em 12 meses 6,41 por cento até junho, ante 6,31 por cento em maio, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira.

Com isso, aproximou-se um pouco mais do teto da meta de inflação, de 4,5 por cento pelo IPCA, com margem de 2 pontos percentuais para mais ou menos.

Os resultados ficaram um pouco acima das expectativas em pesquisa da Reuters, cujas medianas indicavam alta de 0,42 por cento no mês e de 6,35 por cento em 12 meses.[nL2N0OX19A] Os grupos Habitação e Alimentação e bebidas foram os principais guias para a desaceleração mensal do indicador em junho. Segundo o IBGE, o primeiro registrou alta de 0,29 por cento agora, após ter avançado 1,19 por cento em maio, influenciado pela queda de 18,36 por cento nas taxas de água e esgoto em São Paulo.

O grupo Alimentação subiu 0,21 por cento neste mês, ante avanço de 0,88 por cento, com destaque para a queda de 0,23 por cento nos preços da alimentação consumida em casa, segundo o IBGE.

Os preços dos alimentos já vinham mostrando alívio, como esperado por agentes econômicos e pelo próprio Banco Central, depois da seca no começo do ano.

Na ponta oposta, informou o IBGE, os preços das passagens aéreas subiram 22,15 por cento em junho, "sob impacto da maior demanda decorrente da Copa do Mundo", com maior impacto positivo no IPCA-15 neste mês (0,09 ponto percentual).A desaceleração do IPCA-15 continua sustentando as expectativas de que BC deve manter a Selic no atual patamar de 11 por cento por mais tempo, depois de interromper o ciclo de aperto monetário iniciado em abril de 2013 citando a atividade econômica fraca.

A expectativa de economistas consultados na pesquisa Focus do BC é de que o Produto Interno Bruto (PIB) crescerá apenas 1,24 por cento este ano, com a inflação encerrando a 6,46 por cento.[nL2N0OX0A9] O BC vem argumentando que os efeitos da política monetária ocorrem com defasagem, mas ainda mostra preocupação com os preços administrados.

(Por Patrícia Duarte)