Argentina pedirá à Justiça dos EUA que suspenda obrigação de pagamento a credores

segunda-feira, 23 de junho de 2014 15:02 BRT
 

BUENOS AIRES (Reuters) - A Argentina anunciou nesta segunda-feira que pedirá ao juiz federal Thomas Griesa, que sentenciou o país a pagar 1,33 bilhão de dólares a fundos que detêm títulos inadimplentes, que suspenda temporariamente a medida para permitir a negociação com os credores que não participaram das operações anteriores e evitar, desta forma, um default.

A notícia veio logo após a presidente do país, Cristina Kirchner, se mostrar na sexta-feira passada disposta a dialogar com os credores conhecidos como "holdouts" por não aceitar os termos da troca de dívida oferecida pela Argnetina em 2005 e 2010.

Após dias de tensão, as palavras dela trouxeram mais confianças aos mercados em que o país chegará a um acordo com os fundos que detêm títulos inadimplntes, levando os bônus do país sul-americano a abrir com fortes altas no mercado doméstico.

"Nós consideramos que é essencial que o juiz Griesa outorgue uma medida suspensiva para que a República Argentina possa continuar pagando normalimente aos credores da reestruturação", disse o ministro da Economia, Axel Kicillof, em declarações a jornalistas.

Pediu "que sejam condições equitativas, que sejam condições justas e que sejam condições legais", acrescentando que o país apresentará ao juiz um documento através de seus advogados.

As negociações entre a Argentina e os "holdouts" aceleraram na semana passada, após a Suprema Corte dos EUA rechaçar um recurso da nação sul-americana para evitar pagar os 1,33 bilhão de dólares determinados pelo juiz Griesa.

Argentina tem resistido há anos a pagar a dívida aos que classifica como "fundos abutres", argumentando que protege os interesses de 92,4 por cento dos credores que aceitaram milionárias perdas de capital sobre uma cessão de pagamentos totalizando cerca de 100 bilhões de dólares em 2001-2002.

Além disso, o governo da presidente Cristina Kirchner explicou que o pagamento da dívida não reestruturada poderia provocar processos por até 15 bilhões de dólares.

Em 30 de junho, o país deve realizar aos EUA um pagamento de sua dívida reestruturada, mas o desembolso corre o risco de ser suspenso pela justiça norte-americana se não houver acordo com os "holdouts".

(Reportagem de Nicolás Misculin)