ENFOQUE-Fim de potencial hidrelétrico desafia Brasil para expansão energética

segunda-feira, 23 de junho de 2014 15:51 BRT
 

Por Leonardo Goy e Anna Flávia Rochas

BRASÍLIA/SÃO PAULO (Reuters) - Nos próximos 15 anos o Brasil deverá construir suas últimas grandes hidrelétricas, encerrando um ciclo de décadas em que essas usinas foram protagonistas na expansão do setor elétrico do país e lançando um desafio para os planejadores, que terão de buscar uma nova fonte confiável para reestruturar a matriz elétrica brasileira.

O desafio se tornou maior nos últimos dois anos, diante de chuvas irregulares e rápido esvaziamento de represas de hidrelétricas. O fenômeno levantou a discussão sobre a necessidade de se expandir a geração termelétrica do Brasil imediatamente para assegurar a segurança no abastecimento de energia do país, já que o tempo de recomposição das represas aumentou e não ocorre mais a cada ano.

    Para a consultoria PSR, dificuldades recentes no abastecimento devem-se ao fato de a capacidade estrutural de geração ser menor do que o consumo.

"Este problema pode ser corrigido por meio da contratação de reforço na capacidade de geração, adicional ao já planejado, estimado pela PSR em 2 mil MW médios", disse o diretor da PSR, Luiz Augusto Barroso.

As necessidades de energia do país para os próximos anos são expressivas. O Plano Decenal de Expansão 2022 do Ministério de Minas e Energia estima que entre 2012 e 2022 o país precisará de um acréscimo de 4,2 por cento ao ano na potência instalada, totalizando cerca de 40 mil MW a mais até o fim do período.

Enquanto isso, o plano prevê que até 2022 a capacidade instalada do país terá um acréscimo de 63,5 mil MW, um crescimento de 53 por cento sobre a capacidade de 2012, o que garantiria as novas necessidades, de acordo com os dados do governo.

    Segundo especialistas ouvidos pela Reuters, além do esperado aumento de fontes como eólica e solar, o país precisará após 2030 de reforço na base da matriz elétrica de fontes que gerem energia sem interrupções.

    Em 2012, as hidrelétricas representavam cerca de 71 por cento da capacidade instalada de geração brasileira. Mas essa participação deve cair em 2022 para cerca de 65 por cento, recuando ainda mais a partir de 2025 e 2030, segundo o ministério.   Continuação...

 
Visão de parte do Rio Xingu, que será a fonte hídrica para geração de energia pela usina Belo Monte, que será a terceira maior do mundo. Foto de arquivo de novembro de 2013. REUTERS/Paulo Santos