24 de Junho de 2014 / às 14:13 / em 3 anos

Brasil tem déficit em transações correntes recorde para maio, de US$6,635 bi

BRASÍLIA/SÃO PAULO (Reuters) - O Brasil teve déficit em transações correntes de 6,635 bilhões de dólares em maio, recorde para esses meses, influenciado pela mau resultado da balança comercial e pelas remessas de lucros ao exterior, e novamente não sendo financiado completamente pelos investimentos produtivos.

Os investimentos estrangeiros diretos (IED) no país somaram 5,963 bilhões de dólares em maio, informou o Banco Central nesta terça-feira. O número veio melhor do que o esperado pelos economistas consultados pela Reuters, que previam o ingresso líquido de 5,2 bilhões de dólares.

O resultado em conta corrente veio em linha com as projeções do mercado, que esperava déficit de 6,65 bilhões de dólares em maio de acordo com pesquisa Reuters, um pouco acima das contas do próprio BC para o período, de saldo negativo de 6 bilhões de dólares.

No acumulado em 12 meses encerrados no mês passado, o déficit em conta corrente do país ficou em 3,61 por cento do Produto Interno Bruto (PIB). Entre janeiro e maio, o rombo somou 40,074 bilhões de dólares.

"O nível do déficit corrente acende uma luz amarela, apesar da entrada do IED continuar vindo forte", afirmou o economista da Rosenberg & Associados, Rafael Bistafa, acrescentando que o rombo vem por conta de maior consumo, e não investimentos.

O saldo negativo da conta corrente --que abrange o comércio de bens e serviços e o pagamento de juros da dívida externa, entre outros itens -- foi impactado pelo baixo superávit da balança comercial em maio, de 712 milhões de dólares, pior resultado para esses meses desde 2002. [nL1N0OJ1U6] Também continuou pesando a remessa de lucros e dividendos, que somou 2,356 bilhões de dólares em maio, bem próximo ao montante de 2,363 bilhões em igual mês do ano passado, informou o BC.

Outro fator responsável pelo saldo negativo são os gastos líquidos de turistas brasileiros no exterior, que atingiram 1,735 bilhão de dólares em maio, ante 1,699 bilhão de dólares em igual mês do ano passado.

Para Bistafa, com esse nível de déficit, o Brasil poderia sofrer com a mudança na política monetária dos Estados Unidos, sobretudo diante do cenário que parte do rombo está sendo financiado por aplicações em portfólio, que são mais voláteis e sujeitas a reversões pelo humor do investidor.

No mês passado, os investidores estrangeiros aplicaram 6,584 bilhões de dólares em ações brasileiras negociadas no país e no exterior, muito acima dos quase 2 bilhões de dólares em mesmo mês de 2013.

Diante disso, o BC mais do que dobrou a projeção de investimentos líquidos de estrangeiros em ações brasileiras neste ano, para 12 bilhões de dólares, ao mesmo tempo em que também melhorou suas contas para entradas de recursos externos em títulos no país a 18 bilhões de dólares, ante 15 bilhões de dólares.

Entre janeiro e maio, os estrangeiros aplicaram 13,825 bilhões de dólares em títulos, 10 bilhões de dólares a mais do que em igual período do ano passado e mais da metade de todo o investimento em 2013, de 25,369 bilhões de reais. Mas no mês de maio, os estrangeiros retiram 32 milhões de dólares dessa conta.

O BC manteve sua projeção de déficit em transações correntes neste ano em 80 bilhões de dólares, também não mexendo em suas contas para o ingresso de IED no período, em 63 bilhões de dólares.

No entanto, reduziu a 5 bilhões de dólares a estimativa de superávit da balança comercial neste ano, ante 8 bilhões de dólares, diante da fraqueza das exportações brasileiras.

A autoridade monetária também reduziu para 26 bilhões de dólares a perspectiva de remessa de lucros e dividendos em 2014, 1 bilhão de dólares a menos do que a estimativa anterior.

Edição de Patrícia Duarte e Raquel Stenzel

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