Copel suspende reajuste de tarifas e vai pedir novo diferimento

terça-feira, 24 de junho de 2014 18:20 BRT
 

Por Anna Flávia Rochas e Leonardo Goy

SÃO PAULO/BRASÍLIA (Reuters) - A distribuidora de energia Copel CPLE6.SA resolveu suspender o reajuste das tarifas de energia aprovado pela Aneel nesta terça-feira, a pedido do governo do Paraná que controla a companhia. Com isso, a empresa pedirá novamente o diferimento do reajuste, como fez em 2013.

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou um reajuste médio de 35,05 por cento na tarifa de energia dos consumidores da companhia. Mas, logo após o anúncio, o governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), pré-candidato à reeleição em outubro, disse em sua conta no Twitter que pediria a suspensão do reajuste, "para buscar uma solução junto com a Copel".

Após o posicionamento de Beto Richa no Twitter, a ação da Copel devolveu alta de mais de 3 por cento e passou a cair. O papel da companhia fechou o pregão com queda 0,24 por cento, à 32,8 reais.

O presidente da Copel, Lindolfo Zimmer, afirmou em entrevista à Reuters mais cedo nesta terça-feira que a empresa buscará uma solução equilibrada para não prejudicar nem consumidores, nem ela mesma.

"Pode ser possível aliviar sem grandes sacrifícios, ou sacrificando parcialmente, aí todo mundo se sacrifica um pouco -- o consumidor paga um pouco mais, a distribuidora investe um pouco menos e também os acionistas têm que ter um pouco mais de paciência", disse o presidente da Copel, antes da reunião do Conselho que decidiu sobre a suspensão do reajuste.

Companhia e o governo do Paraná vão agora realizar "análises técnicas para identificar a melhor forma de aplicação do diferimento", para formular um pleito a ser apresentado à Aneel, segundo comunicado divulgado pela Copel após o fechamento dos mercados.

A Copel já tinha pedido o parcelamento do reajuste da tarifa do ano passado, o que foi atendido pela Aneel na época. Na ocasião, a agência aprovou que fosse aplicado em 2013 um aumento médio de 9,55 por cento nas tarifas dos consumidores da empresa ante o reajuste total aprovado de 14,61 por cento.

O presidente da Copel defendeu nesta terça-feira que para a solução deste ano seja encontrado também um "ponto de equilíbrio" entre aumento da tarifa e recebimento de receita pela empresa, para manter a companhia saudável financeiramente.   Continuação...