Acordo da Petrobras no pré-sal é visto como mais uma intervenção, dizem analistas

quarta-feira, 25 de junho de 2014 17:07 BRT
 

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A reação negativa do mercado aos novos contratos firmados pela Petrobras com o governo para a exploração de volumes extras de petróleo no pré-sal, deveu-se à ausência de detalhes sobre o acordo, às pressões no caixa da empresa e a novas demonstrações de intervenção governamental na estatal, disseram analistas nesta quarta-feira.

O governo decidiu contratar a Petrobras, sem licitação, para explorar o óleo excedente em quatro áreas da chamada cessão onerosa, o que deve garantir à estatal reservas adicionais de até 15,2 bilhões de barris e levar a um desembolso de 15 bilhões de reais em bônus e antecipações até 2018.

As ações preferenciais da Petrobras fecharam em queda de 3,61 por cento na terça-feira, e operavam em baixa de 2,8 por cento no final do pregão desta quarta.

"O contrato pode ser economicamente atraente, mas não temos dados para saber", afirmaram os analistas do banco BTG Pactual, chefiados por Gustavo Gattass, em nota a clientes.

A instituição manteve a recomendação neutra para as ações da petroleira.

Em relação à pressão no caixa da empresa, o banco prevê a possibilidade da Petrobras precisar de um aumento de capital no próximo ano.

O Bank of America Merrill Lynch afirmou que o negócio "parece ser financeiramente positivo", mas destacou que "vem em um momento de preocupações do mercado sobre a força financeira da Petrobras e do nível de intervenção do governo na empresa".

Também nessa linha, o Citibank destacou que o negócio "deve impactar negativamente a percepção dos investidores devido à influência política por trás". A instituição manteve sua recomendação neutra para os papeis da empresa.

O Citi Research, em relatório, disse temer que os investidores considerem que o negócio foi orientado para contribuir com as contas da União. Isso porque dos 15 bilhões de reais a serem pagos até 2018, 2 bilhões de reais deverão ser entregues ainda neste ano.   Continuação...