Troca no Ministério dos Transportes não deve afetar diálogo com iniciativa privada sobre ferrovias

quarta-feira, 25 de junho de 2014 19:15 BRT
 

Por Leonardo Goy

BRASÍLIA (Reuters) - A troca no comando do Ministério dos Transportes anunciada nesta quarta-feira não deve alterar as negociações em curso com a iniciativa privada para viabilizar concessões de ferrovias, disseram à Reuters especialistas no setor.

A principal razão para essa expectativa é a de que o substituto de César Borges, o atual presidente da Empresa de Planejamento e Logística (EPL), Paulo Sérgio Passos, já foi ministro dos Transportes no governo do PT e conhece bem o funcionamento e as prioriodades da administração atual.

"Acredito em continuidade da política pública. Paulo Sérgio Passos tem uma experiência considerável no ministério", disse à Reuters o presidente da Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF), Gustavo Bambini.

Borges, à frente dos Transportes desde abril de 2013 e principal articulador de uma série de leilões de ferrovias federais, foi substituído da pasta após pressão de seu próprio partido, o PR, que na terça-feira informara ao governo que não via a legenda representada por ele no ministério.

Borges, porém, não deixa o governo e assume a Secretaria dos Portos, onde terá a missão de tirar do papel outro processo de licitações, o de arrendamentos de áreas em portos, outra frente importante do ambicioso plano de logística do governo federal para melhorar a precária infraestrutura do país.

Depois de liderar o processo de concessões de rodovias federais iniciado no ano passado, Borges tentava atrair investidores para viabilizar as concessões de ferrovias, que apesar de terem sido lançadas em 2012 ainda não saíram do papel.

O ex-diretor da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Luiz Afonso Senna, também acredita que a troca de interlocutor nos Transportes com investidores não deve atrapalhar o processo de viabilização das concessões ferroviárias.

"Acredito que, independentemente de quem seja o interlocutor, se é uma vontade de governo, o programa não deve sofrer com a mudança", disse Senna.   Continuação...