Governo diz que isenção de importação de trigo é "técnica", apesar de críticas

quarta-feira, 25 de junho de 2014 19:59 BRT
 

Por Gustavo Bonato

SÃO PAULO (Reuters) - O Ministério da Agricultura defendeu nesta quarta-feira como "técnica" a decisão de isentar a importação de 1 milhão de toneladas de trigo, e prometeu intervir no mercado caso os preços para agricultores do Sul do país caiam abaixo do preço mínimo.

Do início desta semana até o dia 15 de agosto, importadores que comprarem trigo de fora do Mercosul estarão isentos da Tarifa Externa Comum (TEC), de 10 por cento, dentro da cota de 1 milhão de toneladas.

A medida foi recebida com surpresa por especialistas, porque ocorre num momento de ampla oferta no Sul e no Sudeste do país e tem potencial para derrubar os preços do produto, prejudicando a rentabilidade dos produtores rurais que se preparam para uma nova safra.

"O Nordeste iria fazer essa importação de qualquer maneira, dos Estados Unidos ou do Canadá", disse à Reuters nesta quarta-feira o secretário de Política Agrícola, Seneri Paludo. "Por que não liberar? Simplesmente pelo fato de pagar 10 por cento mais caro?"

Ele admitiu que a inflação teve certo peso na decisão da Câmara de Comércio Exterior, a pedido do Ministério da Fazenda, mas disse que a relevância de indicadores de inflação é "menor".

"Vínhamos há mais de 60 dias de postergação por ponto de vista técnico, por entender que não precisava fazer (redução) naquele momento. Agora entendeu-se que era preciso fazer, principalmente por causa do abastecimento do Nordeste."

Por questões de infraestrutura e custos de transporte, é mais barato para os moinhos do Nordeste trazerem trigo da América do Norte, sobre as quais habitualmente incide a TEC, do que de regiões produtoras como Rio Grande do Sul e Paraná ou da Argentina e do Uruguai, grandes fornecedores para o resto do Brasil.

O presidente do Moinho Pacífico, um dos maiores do país, criticou o momento escolhido pelo governo para isentar a importação.   Continuação...