BC vê PIB menor e inflação quase no teto em 2014, mas indica que juro não muda

quinta-feira, 26 de junho de 2014 12:26 BRT
 

Por Patrícia Duarte

SÃO PAULO (Reuters) - Ao mesmo tempo em que passou a ver a economia crescendo menos neste ano, com contração da indústria e do investimento, o Banco Central piorou suas contas sobre a inflação neste ano e no próximo, mas argumentou que ela entrará em convergência para a meta à frente.

Com isso, reforçou a ideia de que não deve mexer na taxa básica de juro Selic tão cedo. Para boa parte dos especialistas, isso é consequência da preocupação do BC de não afetar ainda mais a atividade.

"(O BC) antecipa cenário que contempla inflação resistente nos próximos trimestres, mas que, mantidas as condições monetárias, tende a entrar em trajetória de convergência para a meta nos trimestres finais do horizonte de projeção", afirmou o BC por meio de seu Relatório Trimestral de Inflação, divulgado nesta quinta-feira.

A projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2014 foi reduzida a 1,6 por cento, ante 2,0 por cento, neste ano em que a presidente Dilma Rousseff tenta a reeleição.

O BC passou a ver a indústria contraindo 0,4 por cento em 2014, bem pior do que a estimativa de expansão de 1,5 por cento vista até então. Segundo a autoridade monetária, essa piora veio da revisão nas estimativas de crescimento da produção da indústria de transformação (de +0,5 para -1,9 por cento) e da construção civil (de +1,1 para -2,2% por cento).

Também vê que a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) vai contrair neste ano, com queda de 2,4 por cento, ante projeção anterior de expansão de 1 por cento.

"É um documento que confirma que a Selic vai permanecer inalterada durante muito tempo", afirmou o economista do banco Fibra, Cristiano Oliveira.

Segundo a pesquisa Focus do BC, a expectativa dos economistas é de expansão de 1,16 por cento do PIB neste ano, muito aquém dos 2,5 por cento registrados em 2013.   Continuação...