Novo contrato da Petrobras no pré-sal pode custar 50% mais que o divulgado

quinta-feira, 26 de junho de 2014 16:59 BRT
 

Por Gustavo Bonato

SÃO PAULO (Reuters) - O desembolso antecipado da Petrobras para assegurar a exploração do óleo excedente em áreas do pré-sal, incluindo o bônus de assinatura, pode ficar até 50 por cento acima do valor divulgado por governo federal e estatal, podendo superar os 22 bilhões de reais até 2018.

Os dispêndios da companhia podem chegar a 22,5 bilhões de reais até 2018 no cenário mais altista de preços do petróleo tipo Brent no mercado internacional traçado por uma agência do governo dos Estados Unidos, e levando em conta as estimativas de câmbio da pesquisa Focus, realizada pelo Banco Central, segundo cálculos da Reuters nesta quinta-feira.

O montante se compara ao total de 15 bilhões de reais que o governo federal divulgou na terça-feira como projeção de pagamentos pela Petrobras à União para explorar o óleo excedente de quatro áreas da chamada cessão onerosa, no pré-sal.

Dessa quantia, dois bilhões de reais entrarão no caixa do Tesouro Nacional neste ano em bônus de assinatura e 13 bilhões de reais entre 2015 e 2018 em adiantamentos. Mas as premissas para a cifra informada pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) são uma taxa fixa de câmbio de 2,20 reais por dólar e um preço fixo do barril do Brent de 105 dólares para os próximos três anos.

A Petrobras foi escolhida para extrair, sem licitação e agora pelo regime de partilha, um volume estimado excedente de 10 bilhões a 15 bilhões de barris de quatro áreas de exploração do pré-sal da cessão onerosa.

Investidores reagiram mal à decisão do CNPE e citaram pressão sobre o caixa da Petrobras, que já enfrenta pesado endividamento e possui um ambicioso plano de investimentos, e pelo entendimento de que foi uma nova demonstração de intervenção governamental na companhia.

Os detalhes do novo acordo no pré-sal entre a União e a Petrobras foram divulgados nesta quinta em resolução do CNPE publicada no Diário Oficial. A resolução esclarece que o governo tem direito a pedir adiantamento de determinados volumes de petróleo entre 2015 e 2018, somando pouco mais de 61 milhões de barris.

"O valor a ser repassado... será calculado com base na cotação do petróleo Brent do mês imediatamente anterior à data do pagamento", disse o CNPE na resolução, acrescentando que isso será feito em "moeda corrente", ou seja, de acordo com o câmbio da época.   Continuação...