Dólar fecha abaixo de R$2,20 e atinge menor cotação em quase 8 meses

quinta-feira, 26 de junho de 2014 17:38 BRT
 

Por Bruno Federowski

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar fechou em queda nesta quinta-feira, no menor nível desde outubro do ano passado, após um fluxo de entrada de divisas apurado no fim do pregão levar as cotações abaixo do piso informal de 2,20 reais e desencadear uma série de operações para limitar perdas.

A moeda norte-americana recuou 0,44 por cento, a 2,1963 reais na venda, menor nível desde 30 de outubro, quando ficou em 2,1920 reais na venda. Segundo dados da BM&F, o giro financeiro ficou em torno de 1,8 bilhão de dólares.

"Foi um fator técnico, com alguns investidores zerando posições para realizar perdas", disse o estrategista-chefe do banco Mizuho, Luciano Rostagno.

Boa parte do mercado acredita que o Banco Central não quer que o dólar caia abaixo deste patamar devido a possíveis impactos adversos sobre as exportações. Por outro lado, a percepção é de que autoridade monetária quer evitar cotações muito acima de 2,25 reais, que poderiam pressionar a inflação via encarecimento de importados.

Para se protegerem no caso de suas expectativas se mostrarem erradas, alguns montaram operações de venda de moeda estrangeira que seriam iniciadas automaticamente caso o dólar recuasse abaixo desse piso informal, limitando suas perdas, de acordo com operadores.

A moeda norte-americana chegou a encostar no nível dos 2,20 reais diversas vezes na véspera, mas não conseguiu romper o suporte. Nesta quinta-feira, especialistas citaram uma grande operação de entrada de divisas na última hora do pregão, que deu força às cotações e ativou essas operações, conhecidas como "stop loss".

"Assim que você vê um recuo como esse, você começa a ver um monte de posição se desfazendo", explicou o gerente da mesa de câmbio de um importante banco nacional.

O dólar vinha oscilando dentro dessa banda informal praticamente desde o início de abril. A divisa chegou a flertar com níveis mais altos em meados de junho em meio a expectativas de que o BC poderia reduzir o ímpeto de suas intervenções no câmbio, mas o movimento perdeu força após a autoridade monetária assegurar que continuará atuando diariamente até pelo menos o fim do ano no mesmo ritmo   Continuação...