Conselheiro avalia questionar Petrobras na CVM sobre acordo do pré-sal

quinta-feira, 26 de junho de 2014 20:05 BRT
 

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Um membro do Conselho de Administração da Petrobras disse que considera questionar a empresa na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) por não ter sido informado sobre o acordo para produção de petróleo excedente em quatro áreas do pré-sal de 15 bilhões de reais.

Silvio Sinedino, que representa os funcionários na empresa, disse que não sabia do plano de repasse de direitos para a Petrobras explorar até 15,2 bilhões de barris excedentes do pré-sal. Mauro Cunha, que representa os acionistas minoritários, também disse que não sabia do assunto com antecedência.

Mas Sinedino disse que considera questionar a empresa junto ao órgão regulador. Segundo ele, o governo da presidente Dilma Rousseff tornou a companhia de petróleo mais endividada e menos lucrativa do mundo.

"Não sou contra a compra do petróleo em si. Simplesmente não tenho certeza se o negócio é bom para a Petrobras", disse. "O governo fez de tudo para tirar dinheiro da Petrobras para cobrir a conta."

Uma fonte do governo federal que acompanha o assunto e pediu para não ser identificada afirmou que há dúvidas se a decisão deveria passar pelo Conselho de Administração da Petrobras "já que o que houve anteontem foi uma decisão de governo, do CNPE".

As ações da Petrobras caíram 5,4 por cento desde a decisão.

Embora o governo tenha a maioria dos votos do Conselho, investidores não-governamentais possuem a maior parte do capital da companhia, mas a maior parte é de ações sem direito a voto. "Se o governo acha os minoritários ou os sindicalistas inconvenientes, eles têm um recurso. Pode fechar o capital, comprar a parte dos minoritários", disse. "Mas enquanto tem minoritários, tem que seguir as regras, os estatutos."

Além do pagamento ao governo de 15 bilhões de reais até 2018, o plano eleva o gasto anual da Petrobras em cerca de 3 por cento e requer a compra de bilhões de dólares em navios e equipamentos para produção.

Na véspera, a presidente-executiva da Petrobras, Maria das Graças Foster, disse que o plano estava em discussão há dois anos. Ele foi aprovado pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) mais cedo no mesmo dia.   Continuação...