Governo central tem déficit primário de R$10,5 bi em maio, com receitas menores

sexta-feira, 27 de junho de 2014 14:47 BRT
 

BRASÍLIA (Reuters) - Com forte queda nas receitas e sem contar com dividendos bilionários, o governo central registrou déficit primário de 10,502 bilhões de reais em maio, pior resultado para esses meses e que coloca ainda mais em xeque o cumprimento da meta deste ano.

A cifra, a primeira negativa neste ano, acabou reduzindo o saldo positivo da economia feita para pagamento de juros a 19,158 bilhões de reais acumulado no ano, 42,4 por cento a menos do que em igual período de 2013, informou o Tesouro Nacional nesta sexta-feira.

Em maio, as receitas líquidas do governo central --governo federal, Banco Central e Previdência-- somaram 68,374 bilhões de reais, com queda de 28,8 por cento frente a abril. No ano, somam 412,741 bilhões de reais, 6,5 por cento ao mais do em janeiro a maio de 2013.

"Maio é tradicionalmente um mês de primário mais baixo, mas foi o resultado mais negativo veio basicamente em função de receita bem menor", afirmou a jornalistas o secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin.

Mais cedo, foi divulgado que a arrecadação federal teve queda real anual de 5,95 por cento no mês passado, ocorrida pelo fraco crescimento da economia e altas desonerações. O tombo levou a Receita Federal a reduzir para cerca de 2 por cento a previsão de crescimento do recolhimento de impostos este ano. [nL2N0P80H9]

Segundo dados do Tesouro, o déficit primário também veio pela queda mensal de quase 70 por cento nas receitas oriundas de dividendos de estatais, que somaram 779,9 milhões de reais em maio.

No lado das despesas, os gastos totais ficam em 78,876 bilhões de reais em maio, com queda de 0,7 por cento em comparação ao mês anterior. Nos cinco primeiros meses do ano, eles somam 393,583 bilhões de reais, 11,1 por cento a mais do que igual período de 2013.

O rombo elevado nas contas públicas em maio torna ainda mais complicada a vida do governo em cumprir a meta de superávit primário do setor público consolidado neste ano, de 99 bilhões de reais, equivalente a 1,9 por cento do Produto Interno Bruto (PIB). Segundo a pesquisa Focus do Banco Central, a expectativa dos economistas é de expansão de 1,16 por cento do PIB neste ano, muito aquém dos 2,5 por cento registrados em 2013. A própria autoridade monetária calcula crescimento de 1,6 por cento em 2014. [nL2N0P408F] [nL2N0P716A]

(Por Luciana Otoni; Edição de Patrícia Duarte)