Conselho da Petrobras aprovou em fevereiro busca de novas fontes de óleo e gás

sexta-feira, 27 de junho de 2014 15:28 BRT
 

BRASÍLIA (Reuters) - O Conselho de Administração da Petrobras autorizou em fevereiro que a diretoria da empresa buscasse novas fontes para exploração de petróleo e gás, afirmou nesta sexta-feira uma conselheira da estatal, a ministra do Planejamento, Miriam Belchior.

A declaração da ministra foi dada após o conselheiro Silvio Sinedino, que representa os funcionários no Conselho da empresa, ter afirmado na véspera que considerava recorrer à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) por não ter sido informado sobre um acordo da Petrobras com a União para produção de petróleo excedente em quatro áreas do pré-sal.

No começo desta semana, o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) escolheu a Petrobras para extrair, sem licitação e agora pelo regime de partilha, um volume excedente estimado entre 10 bilhões e 15 bilhões de barris de petróleo na cessão onerosa.

"Na reunião do Conselho de fevereiro, houve aprovação para que a empresa buscasse novas fontes para explorar petróleo e gás, no plano estratégico até 2030", disse Miriam a jornalistas, após balanço do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) 2.

Durante teleconferência em fevereiro para comentar o Plano Estratégico 2030, a Petrobras informou que "hoje, para crescer até 2030, é preciso que haja a incorporação de novas áreas, em novos regimes de concessão e partilha".

Contudo, para ter direito a explorar o óleo excedente das áreas do pré-sal de Búzios, Entorno de Iara, Florim e Nordeste de Tupi, a estatal terá que desembolsar neste ano um bônus de assinatura de 2 bilhões de reais, além de fazer um pagamento antecipado estimado pelo governo em 13 bilhões de reais entre 2015 e 2018, antes do início da extração do petróleo.

O representante dos funcionários no Conselho da Petrobras disse não ser contra "a compra do petróleo em si", mas que não tinha certeza se os termos do negócio eram bons para a companhia, indicando que os conselheiros deveriam conhecer os detalhes do acordo antes que o contrato fosse selado.

Investidores reagiram mal à decisão do CNPE e as ações da Petrobras caíram, devido à pressão sobre o caixa da empresa, que já enfrenta pesado endividamento e possui um ambicioso plano de investimentos. Analistas citaram ainda o entendimento de que foi uma nova demonstração de intervenção governamental na companhia.

Nesta sexta, a agência de classificação de risco Fitch divulgou relatório afirmando que o novo contrato do pré-sal deverá elevar a necessidade de captação de recursos pela estatal no mercado a médio prazo. No mesmo tom, a Moody's disse que o acordo coloca pressão adicional na Petrobras "sobre seu perfil de crédito em um momento de alavancagem já elevada".   Continuação...

 
Prédio-sede da Petrobras no Rio de Janeiro. REUTERS/Ricardo Moraes