Dólar fecha perto da estabilidade e abaixo de R$2,20, com Ptax e fiscal

sexta-feira, 27 de junho de 2014 17:08 BRT
 

Por Bruno Federowski

SÃO PAULO (Reuters) - Num dia que mostrou oscilações, o dólar fechou perto da estabilidade e ainda abaixo de 2,20 reais, em meio à briga pela formação da Ptax de junho e após o déficit primário do governo central surpreender negativamente o mercado.

A moeda norte-americana teve leve queda de 0,04 por cento, a 2,1954 reais na venda, após chegar a 2,2080 reais na máxima do dia e a 2,1874 reais na mínima. Segundo dados da BM&F, o giro financeiro ficou em torno de 1,7 bilhão de dólares.

"Até segunda-feira, o mercado vai ficar volátil por causa da Ptax. Depois disso, espero que o dólar volte àqueles níveis de antes", afirmou o operador da corretora Intercam Glauber Romano, referindo-se à banda informal de 2,20 a 2,25 reais.

Boa parte do mercado acredita que cotações abaixo desse piso não agradariam à autoridade monetária porque podem prejudicar as exportações. Por outro lado, taxas acima do teto informal pressionariam os preços via encarecimento de importados.

A disputa entre investidores para deslocar a Ptax --taxa calculada pelo BC que serve de referência para diversos contratos-- a patamares que favoreçam suas posições cambiais manteve a moeda norte-americana girando em torno de 2,20 reais neste pregão.

Neste cenário, a autoridade monetária continuou vendendo a oferta total de até 4 mil swaps cambiais, que equivalem a venda de dólares, nas atuações diárias. Todos os swaps colocados nesta manhã têm vencimento em 2 de fevereiro de 2015, com volume equivalente a 198,8 milhões de dólares. Também foram ofertados contratos para 1º de junho, mas não vendeu nenhum.

Em seguida, vendeu a oferta total de até 10 mil swaps para rolagem dos contratos que vencem em julho. Ao todo, já rolou pouco mais de 85 por cento do lote total, que corresponde a 10,060 bilhões de dólares.

A moeda norte-americana chegou a esboçar altas mais expressivas após a divulgação de números fiscais fracos, durante a tarde. Com forte queda nas receitas e sem contar com dividendos bilionários, o governo central registrou déficit primário de 10,502 bilhões de reais em maio, pior resultado para esses meses e que coloca ainda mais em xeque o cumprimento da meta deste ano.

"O número fiscal faz o mercado reavaliar se esse real valorizado é justificado, levando em conta fundamentos econômicos tão fracos", afirmou o gerente de câmbio da corretora Treviso, Reginaldo Galhardo, ressaltando que o nível de 2,20 reais é um "patamar psicológico bastante forte".

No exterior, o dólar recuou contra o euro e caminhava para a segunda semana consecutiva de perdas. Dados positivos sobre a confiança do consumidor norte-americano não foram suficientes para alimentar expectativas de que o Federal Reserve, banco central dos EUA, possa elevar antes do esperado a taxa de juros.