Conselho da Petrobras aprovou em fevereiro busca de novas reservas; Graça defende excedente do pré-sal

sexta-feira, 27 de junho de 2014 19:30 BRT
 

Por Leonardo Goy e Marta Nogueira

BRASÍLIA/RIO DE JANEIRO (Reuters) - A Petrobras afirmou nesta sexta-feira que seu Conselho de Administração autorizou, em fevereiro, a diretoria a buscar novas reservas de petróleo e convocou analistas para tentar amenizar o mal estar gerado pela escolha da estatal para ficar com o óleo excedente da cessão onerosa, com antecipação de pagamentos.

"Na reunião do Conselho de fevereiro houve aprovação para que a empresa buscasse novas fontes para explorar petróleo e gás, no plano estratégico até 2030", disse a jornalistas pela manhã a ministra do Planejamento e conselheira da estatal, Miriam Belchior.

A declaração da ministra foi dada após o conselheiro Silvio Sinedino, que representa os funcionários no Conselho da empresa, ter afirmado na véspera que considerava recorrer à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) por não ter sido informado sobre um acordo da Petrobras com a União para produção de petróleo excedente em quatro áreas do pré-sal.

No começo desta semana, o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) escolheu a Petrobras para extrair, sem licitação e agora pelo regime de partilha, um volume excedente estimado de 9,8 bilhões a 15,2 bilhões de barris de petróleo na cessão onerosa.

Para ter direito a explorar o óleo excedente das áreas do pré-sal de Búzios, Entorno de Iara, Florim e Nordeste de Tupi, a estatal terá que desembolsar neste ano um bônus de assinatura de 2 bilhões de reais, além de fazer um pagamento antecipado estimado pelo governo em 13 bilhões de reais de 2015 a 2018, antes do início da extração do petróleo.

O representante dos funcionários no Conselho da Petrobras disse não ser contra "a compra do petróleo em si", mas que não tinha certeza se os termos do negócio eram bons para a companhia, indicando que os conselheiros deveriam conhecer os detalhes do acordo antes que o contrato fosse selado.

Investidores reagiram mal à decisão do CNPE e as ações da Petrobras caíram, devido à pressão sobre o caixa da empresa, que já enfrenta pesado endividamento e possui um ambicioso plano de investimentos. Analistas citaram ainda o entendimento de que foi uma nova demonstração de intervenção governamental na companhia.

Em uma iniciativa para aplacar as críticas ao negócio, a presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, recebeu analistas na sede da empresa no Rio nesta tarde.   Continuação...