Argentina quer desbloqueio de pagamento de juros para discutir dívida

quarta-feira, 2 de julho de 2014 16:27 BRT
 

BUENOS AIRES (Reuters) - A Argentina pressionará um juiz dos Estados Unidos a permitir o pagamento dos juros da dívida reestruturada do país, como condição para negociar com os credores que estão processando o país em busca do pagamento total, disse nesta quarta-feira uma autoridade argentina.

A terceira maior economia da América Latina foi empurrada à beira de um novo calote por uma série de decisões de tribunais dos Estados Unidos. As decisões forçaram o país a negociar com investidores que não aceitaram participar das restruturações da dívida após a crise de 2002.

Mais de 92 por cento dos credores do país aceitaram receber menos de 30 centavos para cada dólar nas restruturações realizadas em 2005 e 2010.

Os demais credores, conhecidos como 'holdouts', recusaram os termos da renegociação e reivindicam o recebimento de 100 por cento do principal da dívida, mas dizem que estão dispostos a negociar.

O governo argentino enviará uma equipe a Nova York na semana que vem para determinar as condições de negociação por meio de um mediador selecionado pelos tribunais.

"Essas condições naturalmente vão incluir nosso objetivo de respeitar a reestruturação de 92,4 por cento de nossa dívida e gerar condições justas para todos os credores", afirmou o ministro da Casa Civil, Jorge Capitanich, em entrevista coletiva. "Vamos à reunião com esse objetivo", acrescentou.

A Argentina tentou fazer um pagamento de juros da dívida reestruturada na segunda-feira, mas o desembolso foi bloqueado pelo juiz Thomas Griesa, em Nova York, que disse que o governo precisa chegar a um acordo com os holdouts antes que novos pagamentos dos títulos reestruturados possam ser realizados.

O pagamento ficou no limbo depois de os recursos serem depositados no Bank of New York Mellon, mas não transferidos para os credores.

O juiz Griesa quer que os 539 milhões de dólares retornem à Argentina, mas o governo se recusa a aceitar o dinheiro, dizendo o seguinte em comunicado: "O Bank of New York continua a violar suas obrigações ao não permitir que todos os credores recebam o pagamento."   Continuação...