EUA podem liderar produção global de petróleo com sucesso do "shale gas"

quarta-feira, 9 de julho de 2014 13:40 BRT
 

Por Catherine Ngai

NOVA YORK (Reuters) - Com quatro anos da revolução do petróleo e gás não convencional (os chamados "shale gas" e "shale oil"), os Estados Unidos estão a caminho de passar a Rússia e a Arábia Saudita na produção mundial de petróleo, conforme acreditam muitos analistas.

Sobre quando isso acontecerá e quais serão os volumes, entretanto, há estimativas díspares que dependem de fatores incertos que variam desde o progresso na tecnologia de perfuração e da disponibilidade de financiamento até o preço do petróleo em si.

As previsões para a produção de "shale oil" nos Estados Unidos têm grande disparidade, podendo variar de crescimento de 7,5 milhões de barris por dia (bpd) até 2020 --quase dobrando a produção nacional atual de 8,5 milhões de bpd-- até previsões menores de ganho de até 1,5 milhão de barris diários, no mesmo período, ou menos da metade do que o Iraque produz hoje.

As disparidades são características da novidade do boom do "shale" (xisto), que tem tido previsões constantemente confusas.

"O ponto fundamental não é se a produção cresce, é o quanto (ela cresce)", disse Ed Morse, diretor-global de pesquisa em commodities do Citigroup em Nova York. "Estamos apenas no início do jogo."

Os riscos não poderiam ser maiores, que vão desde os investimentos multibilionários necessários para explorar e perfurar a problemas de fornecimento de petróleo, que vão para o centro da política externa dos Estados Unidos. Relações com países que vão do Iraque e do Irã a Rússia, Ucrânia, Líbia e Venezuela são modificadas de uma forma ou de outra, dependendo de questões de energia.

Os EUA, um país transformado pelo embargo do petróleo árabe em 1973, poderia tornar-se independente no setor de energia até 2035, de acordo com previsões otimistas da BP e da Agência Internacional de Energia (AIE). Juntamente com a crescente produção dos vizinhos ricos em petróleo, o continente tem um escudo crescente de choques de oferta.

"Olhando para a América do Norte, incluindo o Canadá e o México, estamos muito mais politicamente estáveis", disse Lisa Viscidi, diretora do programa do Inter-American Dialogue, em Washington.   Continuação...